Rubens Pileggi Sá
De Londrina
Especial para a Folha2
No momento em que ainda se engatinha uma política cultural nos museus para abrigar e preservar peças tradicionais de arte e obras modernas são acolhidas com muita dificuldade, falar de arte conceitual dentro das instituições pode soar como ironia, mas o fato é que esse tipo de investigação e pesquisa experimental já não é mais novidade neste circuito. Não só é necessário melhorar os equipamentos para a manutenção e conservação do que já existe, como também deste outro material produzido pela vanguarda a partir dos anos 60 no mundo todo.
Foi pela dificuldade de catalogação destas obras que a autora do livro ‘‘Poéticas do Processo – Arte Conceitual no Museu’’ (Ed. Iluminuras, 197 págs.), Cristina Freire, buscou compreender qual era essa poética, a partir das exposições organizadas no início da década de 70 no Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC), realizadas pelo professor Walter Zanini. Tarefa árdua, uma vez que esse movimento procurou de todas as maneiras subverter as noções institucionalizadas.
O livro é bastante didático e relata as mostras de artes contemporânea do MAC com fotos de arquivo, além de traçar paralelos com os movimentos internacionais, contextualizando as informações desse tipo de atitude em que a arte deixou de ser sacra, perdendo sua ‘‘aura’’ – como já professava o filósofo Walter Benjamim em 1936 – para se tornar política.
Hoje, se pergunta o que fazer, por exemplo, com uma instalação, em que a maneira de agrupar os materiais no espaço busca levar o público à participação, envolvendo outros sentidos além da visão, levando em conta a densidade do lugar em seus múltiplos sentidos sociais, culturais, arquitetônicos, políticos, etc.? Como conservá-la no museu sem tirar-lhe a idéia que lhe deu origem? O livro discute estas questões.
Para a autora, que é pesquisadora e docente do MAC-USP, o antigo conceito de ‘‘museu-templo’’, deve ampliar sua definição para ‘‘museu-fórum’’, um local vivo e dinâmico que possibilite o debate, a crítica, permitindo inclusive que os artistas usem o próprio museu como espaço de criação.

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