AS PAISAGENS DE MARCUS ANDRÉ
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de julho de 2000
Elisa Marilia Carneiro De Curitiba 
Catorze obras e um painel de um metro e setenta por dois metros e setenta e cinco centímetros formado por 49 pinturas, de 20 por 30 centímetros, em encáustica sobre placas de cedro, realizadas simultaneamente, fazem parte da exposição do artista plástico carioca Marcus André, que abre hoje no Museu Alfredo Andersen. Ontem, ele iniciou três dias de workshop sobre pintura contemporânea. Em agosto, lança um livro sobre seus trabalhos durante os anos 90.
A pintura se move por persistência. No meio expressivo é o jogo de cor, valores, materiais e formas, define o artista argumentando que a pintura contemporânea é um desafio depois da pintura moderna, mais tradicional. Esbarramos no tradicionalismo dos séculos XIX e XX e tentamos prosseguir.
Segundo o texto do crítico, historiador de arte e diretor do Museu Hélio Oiticica, Paulo Sérgio Duarte, redigido para o livro de Marcus André, a história infiltra-se no trabalho como memória, método e, até mesmo, tema. Às vezes surge o paradoxo. A história parare ter o poder de inverter a negação: torna-se tanto mais presente quanto mais o autor insiste na sua ausência. O talento do pintor contemporâneo encontra-se na capacidade de neutralizar a força dessa presença sem recalcá-la.
A pintura de Marcus André é limítrofe entre a figuração e a abstração e o resultado são espécies de paisagens, como ele mesmo define. Mas isso não é o importante. O que importa é a maneira como é feito. Isso é que diferencia, explica. O artista faz uma analogia da pintura com a moda. Hoje, todas as vitrines estão retomando os anos 70. A partir dos anos 80 está ocorrendo uma retomada da própria pintura.
Para ele, na década de 70 havia uma impossibilidade da pintura. Ela não servia a um fim social. Os movimentos estavam ligados a ditaduras e revoluções, lembra refletindo que a partir dos anos 80 a pintura é resgatada de forma neurastênica com todo mundo pintando, como todas as butiques, hoje, têm roupas dos anos 70.
A pintura é importante, afirma. As pessoas compram, vão a museus. É uma relação de necessidade do olhar. Marcus concorda que o ser humano seja 80% visão. É desse olhar subjetivo que trata a pintura. As pessoas olham e o que vêem remete a alguma coisa. A pintura é emoção.
A técnica de encáustica trabalha os pingmentos com cera de abelhas. As cores não são puras são resultados de sobreposições. Eu mesmo preparo as tintas, Só compro os pigmentos, que são os mesmos de qualquer pintor. Tendo trabalhado anteriormente com calcogravura, Marcus afirma estar bem adaptado à cozinha da pintura. Tanto na gravura como na encáustica, o pintor tem de ser um bom cozinheiro. Marcus participou de várias Mostras de Gravura, em Curitiba.
Os temas que serão abordados nas palestras, que iniciam hoje são: O Próximo e o Distante, O Material e o Imaterial e O Sentido e o Silêncio. Na verdade são ganchos para iniciar uma discussão mais informal sobre a pintura contemporânea, que tem uma certa dificuldade verbal. Não há uma nomenclatura que defina por exemplo, campo de cor, planos ou ritmos. Ainda precisamos desenvolver uma ferramenta semântica para melhor poder estimular discussões sobre a pintura contemporânea.
Exposição do artista plástico Marcus André. A partir de hoje, às 18 horas, no Museu Alfredo Andersen (Rua Mateus Leme, 336. Telefone 41-222-8262), em Curitiba. Workshop sobre pintura contemporânea vai até amanhã, das 14h às 17 horas.


