As orquídeas do Jardim Botânico
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de abril de 1997
Agência Estado 
As orquídeas constituem uma das maiores famílias vegetais e chegaram ao grau máximo de evoluçãoO Rio de Janeiro acaba de ganhar mais uma atração internacional. O Orquidário do Jardim Botânico da cidade, que já teve fama mundial e chegou a reunir uma coleção de mais de 7 mil espécies foi reaberto ao público, no início do mês. Depois de alguns anos fechado ao público e de uma reforma de cerca de R$ 300 mil, o Orquidário promete reconquistar seu lugar entre os melhores do mundo. Afinal, fica num dos parques mais bonitos do planeta, criado no começo do século passado pelo príncipe-regente dom João VI e hoje considerado reserva da biosfera.
Só os dois grandes prédios que compõem o Orquidário já valem a visita: o do Orquidário propriamente dito é uma estufa de ferro e vidro em forma de pirulito que fica aberta ao público e expõe exemplares floridos das plantas cultivadas na outra estufa, o Ripado, um prédio retangular onde só entram os jardineiros e pesquisadores, para evitar roubos. Em ambos os prédios, o ambiente abafado, úmido e semi-sombreado reproduz as condições das florestas de onde vieram as orquídeas.
Primeiro orquidário montado no Brasil, a estufa de ferro e vidro foi construída na última década do século 19 e segue o modelo das estufas inglesas. Por enquanto, não exibe muitas plantas floridas, pois as atuais 1,5 mil plantas da coleção foram reenvasadas e estão sendo cultivadas no Ripado. Com o aumento da coleção, será possível manter uma exposição permanente, pois há orquídeas florindo em qualquer época do ano. Por enquanto, o Orquidário vai abrigar exposições de plantas cultivadas por produtores de vários pontos do Estado.
Pedaços do Oriente As orquídeas constituem uma das maiores famílias vegetais e chegaram ao grau máximo de evolução, o que se evidencia pela mirabolante quantidade de modificações de adaptação a polinizadores como insetos e pássaros. Embora o formato e as cores variem muito, a estrutura dessas flores é praticamente idêntica.
Sérgio Brito, diretor do Jardim Botânico, diz que a beleza dessas flores as disseminou pelo mundo. Hoje em dia é fácil comprar plantas nativas de outros continentes, como os Paphiopediluns da Ásia tropical, popularmente chamados sapatinhos-de-vênus, lembrou. Para ele, um colecionador de sapatinhos tem pedaços do Oriente em casa, pois vieram de lugares como Himalaia, Vietnã, Sumatra, Bornéu e China.
Mas as rainhas das orquídeas continuam sendo as mais de 140 espécies de Cattleyas e Laelias nativas da América tropical, que deram origem a milhares de cruzamentos. O que estamos buscando são as espécies nativas originais desses cruzamentos com as quais estamos montando um banco de germoplasma capaz de repovoar a natureza ou dar origem a novos e diferentes cruzamentos, explicou Brito.


