As origens da Mulher Maravilha
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Fabiana Schiavon<br>Folhapress 

Um dos filmes mais aguardados do ano chega nesta quinta (1º) aos cinemas. Após 75 anos de sua criação, a Mulher-Maravilha ganha um longa só seu com a bela atriz israelense Gal Gadot na pele da deusa amazona. A direção também é de uma mulher, Patty Jenkins (de "Monster", 2003).
A primeira vez que essa versão da Mulher-Maravilha apareceu foi em "Batman vs Superman: A Origem da Justiça" (2016). O longa, contudo, não agradou nem aos fãs, fracassou nas bilheterias e só aumentou a expectativa em relação ao filme da heroína.
Até então só retratada nos quadrinhos, em desenhos animados e na série de TV americana dos anos 1970, com Lynda Carter, a Mulher-Maravilha é reapresentada ao público no filme, que relembra suas origens como princesa Diana Prince, embaixadora das amazonas que vive na ilha paradisíaca Themyscira. Filha da rainha Hipólita (Connie Nielsen), Diana, ainda criança, adora lutar e insiste que a tia a treine - a general Antiope, vivida por Robin Wright, a Claire da série "House of Cards".
No mundo dos humanos, a Primeira Guerra Mundial está em curso e, por acidente, o espião Steve Trevor (Chris Pine) atravessa um portal que o leva à ilha das amazonas. Resgatado por Diana, ele faz o coração da princesa derreter ao dizer que a Terra está perto de ser arrasada pelo conflito. Para a Diana, então, o combate só terá fim se ela encontrar e matar o Deus da guerra.
Para isso, a diva terá de enfrentar, além dos inimigos, em eletrizantes cenas de ação, uma sociedade machista, perplexa com seu comportamento, seu traje fetichista e seus superpoderes - o que despertou o debate de feministas dos dias atuais.
Os fãs dos quadrinhos ainda esperam que o filme seja a salvação da DC Comics neste ano, já que a empresa não tem emplacado sucessos do nível de sua principal concorrente, a Marvel - de "Thor", "Homem de Ferro" e "Vingadores". Dos quadrinhos da DC, surgiram, por exemplo, grandes filmes do Batman e do Superman, mas a marca é lembrada pelos recentes fracassos de "Batman vs Superman" e do "Esquadrão Suicida", ambos de 2016.
"Está todo o mundo esperando para conhecer a personagem porque ela fará parte de "Liga da Justiça" (que estreia no exterior em 2017)", lembra o youtuber Vinicius Tavares, 26 anos. "A escolha da atriz parece perfeita. Ela é feminina, mas passa medo", conclui.
O empresário Igor Oliveira, 39 anos, especialista em quadrinhos, também está ansioso. "A personagem apareceu primeiro em um filme cheio de problemas e um dos pontos legais foi a aparição dela. É o momento dela."
Heroína desperta debate feminista
A Mulher-Maravilha foi criada nos anos 1940 pelo americano Maxwell Gaines (1922-
1992). De lá para cá, muita coisa mudou. Inclusive a forma como o público a vê. Representante das mulheres em meio a heróis homens provenientes dos quadrinhos, a personagem desperta a simpatia feminina, mas também gera algumas críticas por não se adequar a um símbolo politicamente correto para as questões do mundo moderno.
"Ela vai resolver sozinha todos os problemas do mundo e ainda está dentro dos rígidos padrões de beleza. O filme reforça estereótipos machistas", lembra Carla Vitória, 25 anos, representante da Marcha Mundial das Mulheres.
Para a jovem, as meninas da nova geração podem ter melhores referências. "A heroína pode se parecer mais com uma mulher de verdade. E há outro ponto. A maioria dos personagens dos quadrinhos tem como destaque a sua habilidade. O Flash tem esse nome pois é veloz. A Diana é só mulher, como se ela existisse como cota no mundo dos heróis."
As motivações da Mulher-Maravilha também passam longe das ideias do professor de história e sociologia Ricardo Bitencourt, 37 anos. "Não há nada de revolucionário. Ela está lutando uma guerra que é dos homens e ainda colocaram nela uma roupa fetichista." Para ele, há melhores exemplos de mulheres poderosas, como imperatriz Furiosa (Charlize Theron) de "Mad Max: Estrada da Fúria" (2015). "É uma personagem que tem uma causa maior, luta pela sobrevivência da humanidade." (F.S. /Folhapress)
Personagem deu fama a Lynda Carter em 1970
No tapete vermelho da estreia mundial do longa "Mulher-Maravilha", a protagonista Gal Gadot fez reverência a Lynda Carter assim que ela chegou. Hoje com 65 anos, a americana ficou conhecida pelo papel da heroína na série de TV que marcou os anos 1970, nos Estados Unidos, e os anos 1980, aqui no Brasil.
Pelas redes sociais, Lynda também celebrou a estreia da personagem nos cinemas. "O mundo ama a Mulher-Maravilha e vocês vão amar vê-la na tela grande", escreveu. Logo após presenciar a primeira sessão, Lynda elogiou o resultado. "Estou grata por participar da pré-estreia de "Mulher-Maravilha"... É um filme fabuloso. Patty Jenkins é realmente uma diretora de talento."
Lynda viveu a heroína na televisão durante três temporadas de 60 episódios. A atriz chegou a gravar cenas de um longa-metragem para o cinema em 1975, mas o projeto nunca saiu do papel. Depois do sucesso na série, Lynda não teve muita sorte na carreira de atriz e conseguiu poucos papéis. Ainda teve de superar a dependência em álcool, o que a deixou afastada da TV por anos. Recuperada, no início dos anos 2000, dedicou-se à carreira de cantora, que mantém até hoje. Mais recentemente, fez aparições em séries como "Lei e Ordem", "Supergirl" e "Dois Homens e Meio", entre outras.
Assim como Gal Gadot, que já foi Miss Israel, Lynda foi eleita Miss Estados Unidos em 1972. Em 1978, inclusive, chegou a ser considerada a mulher mais bonita do mundo pela International Academy of Beauty e pela British Press Organization. (Fabiana Schiavon/ Folhapress)


