Em 1998, Carla Perez reinou absoluta na Marquês de Sapucaí. No ano seguinte foi a vez da Tiazinha Suzana Alves e no ano passado, a Feiticeira Joana Prado. Este ano, ao contrário dos anteriores, as escolas não deram espaço só para as celebridades da TV e estão apostando em musas anônimas, suas próprias passistas.
As musas das escolas Mocidade Independente de Padre Miguel e Beija Flor são avós. Da primeira é Mônica Paulo, 33 anos; e da segunda, Sônia Capeta, 57 anos, ambas são as rainhas da bateira. O mesmo acontece na Portela, Mangueira, Caprichosos de Pilares, Império Serrano, Unidos da Tijuca e União da Ilha.
Por isso, não será à frente da bateria na Mocidade Independente que a morena de olhos claros da banheira do Gugu, Hellen Ganzarolli, vai desfilar, mas sim no carro ‘‘Casa limpa alma limpa’’. Segundo Renato Lage, carnavalesco da escola, a madrinha da bateria é sempre uma celebridade convidada e a rainha é eleita na própria quadra. Vale lembrar que foi a própria Mocidade que ‘‘inventou’’ esta moda de rainha e madrinha da bateria. Foi com Monique Evans, em 1985. Dois anos depois, a escola aboliu esses postos, que vão voltar só este ano. ‘‘Acho que vai dar caldo este resgate’’, aposta Lage.
O Salgueiro não tem rainha da bateria, muito menos madrinha. Das celebridades, por enquanto, só está confirmada a presença de Valéria ‘‘Globeleza’’ Valenssa. A escola afirma que não tem uma musa, mas sim milhares, ‘‘todas as passistas da escola’’. Também, mestre Louro, que comanda a bateria, acredita que os ritmistas são atração suficiente.
Já na Caprichosos de Pilares a musa e rainha da bateria é também uma desconhecida do público, a passista escolhida pela comunidade: Ana Gouveia. Como o enredo é uma homenagem ao Estado de Goiás, o carnavalesco Jaime Cezário diz que os ritmistas estarão trajando os vestidos da Festa do Divino.
A Portela também aposta na tradição com sua rainha de bateria Edicléia das Neves, que vai desfilar ao lado de uma das únicas loiras famosas na avenida, a madrinha de bateria - Adriane Galisteu. Na Azul e Branco também vão desfilar a atriz Thaís Araujó Rosa Fernadez (vereadora mais votada do Rio) e a cantora Marisa Monte.
Na Beija Flor a palavra de ordem é privilegiar os integrantes da escola, principalmente os negros. Sônia Capeta (rainha da bateria há quase 20 anos) é musa. Mesmo assim há espaço também para algumas celebridades. Estão confirmadas as presenças de Cláudia Raia, Tiazinha, Suzane Carvalho e Zezé Motta. E como o samba-enredo é ‘‘A saga de Agotime - Maria Mineira Na꒒, a escola vai dar destaque aos negros mostrando a história desta rainha negra que chegou ao Brasil como escrava na Ilha de Itaparica (BA), foi morar no Maranhão, onde divulgou sua religião na Casa de Mina (1739).
A veterana Luiza Brunet sai à frente da bateria da Imperatriz Leopoldinense. E sua contemporânea, Luma de Oliveira, na Unidos do Viradouro. Ambas são rainhas.
Na Grande Rio, última escola do Grupo Especial a desfilar na segunda-feira de carnaval, a rainha da bateria é Mônica Carvalho (a Socorrinho de ‘‘Porto dos Milagres’’). Desfilam também a Globeleza, Suzana Veira, Luciana Gimenez e sua mãe Vera. Mas como é Joãosinho Trinta o carnavalesco, que está estreando nesta escola, o público pode esperar surpresas.

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