O cine Com-Tour/UEL tem apenas cinco anos - celebrados este mês -, mas sua história, recheada de reviravoltas e com um final feliz, poderia até ser o roteiro de um filme
Tudo começou pelo fim: em 2001, com a chegada das salas de cinema Multiplex - exibindo apenas filmes de alto orçamento e com estrelas de Hollywood - parecia que as antigas salas, do centro da cidade, estavam fadadas ao fracasso Até o gigante cine-teatro Ouro Verde, que em sua época áurea era uma espécie de ponto de encontro da elite londrinense, não aguentou a pressão comercial e, em meados de 2002, encerrou suas atividades cinematográficas
Mesmo com esse cenário desfaforável, o crítico de cinema Carlos Eduardo Lourenço Jorge - que havia sido o programador do Ouro Verde durante duas décadas - não desistiu do objetivo de ter algum espaço para a exibição de filmes fora do circuito ''Na época, não tinha muito jeito Construir uma sala era caríssimo, e as que existiam para alugar não eram boas O que fazer?'', questiona o então desiludido cinéfilo que, em meados de 2005, foi agraciado com uma solução inesperada para o dilema ''Quando me falaram que o Com-Tour estava buscando parceiros culturais, eu me animei com a possibilidade'', explica, dizendo-se surpreendido com a boa conservação do espaço
Nascido como um grande cinema nos anos 70, nos últimos 20 anos o Studio Com-Tour havia embarcado em uma enfadonha viagem entre o pecado e a redenção, transformando-se em uma sessão pornô e, em seguida, uma igreja evangélica
Depois de arrecadar recursos e firmar uma parceria - fundamental - com a Casa de Cultura da UEL, novamente o espaço começou a ter cara de cinema O antigo projetor foi restaurado, e a tela adquirida através do Ministério da Cultura As luzes e a câmera estavam prontas, faltava a ação
''Acho que eu não bati muito bem naquele momento Quando conto para outras pessoas o que eu fiz, elas falam que eu sou louco'', diverte-se Carlos Eduardo, contando do primeiro filme que ele escolheu para inaugurar, em novembro de 2005, as telas do cine Com-Tour/UEL ''Eu exibi 'Casa Vazia' para inaugurar um cinema'', exclama com uma risada, lembrando de não ter percebido que o nome do filme coreano, elogiado pela crítica mundial, não era adequado para a ocasião ''E a cópia ainda não chegou no dia, acredita? Acabamos inaugurando o cinema com trailers'', relembra
Entre um rolo e outro, com o passar dos anos o Cine Com-Tour/UEL foi se organizando e se estabelecendo como uma referência cinematográfica em Londrina para filmes que estão fora do circuito Atualmente, o único cinema alternativo da cidade cresce a passos lentos, mas firmes ''O público daqui faz um boca a boca forte, mas sem a emoção entusiasta que existe quando eles saem de um blockbuster Claro, eu prefiro que seja assim'', analisa Carlos Eduardo, que diz ter como objetivo priorizar na sala um olhar diferente daquele que encontramos nos cinemas convencionais ''Aqui, o público vai ouvir 'I love you', mas também vai ouvir em outras línguas, muito mais sonoras que o inglês'', ilustra
O Cine Com-Tour/UEL possui uma sessão diária às 20h30, e aos sábados, domingos e feriados abre também uma sessão vespertina, às 16h O preço é de R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia-entrada Todas as sextas-feira um novo filme estreia na programação do cinema, que, exceto em ocasiões excepcionais, mantém uma continuidade e renovação que o Ouro Verde não conseguia ter E bons filmes não faltam ''As pessoas precisam saber que, fora da programação normal, existe uma única sala que se dispõe a ir na contramão da via comercial E é farta a produção para ser consumida'', completa

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