O ator, dançarino, instrumentista, compositor e cantor Antônio Nóbrega volta ao Paraná, com a segunda etapa da turnê nacional do espetáculo ‘‘Madeira que cupim não rói’’. A temporada começa dia 02, às 19 horas, no Guairão, em Curitiba; e prossegue dia 03, às 21 horas, no
Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina. O espetáculo segue depois para Porto Alegre, Cuiabá, Campinas e Salvador.
A turnê está sendo patrocinada pelo Projeto Philips Brasilis, que apóia entidades sócio-culturais destinando-lhes 80% da renda da bilheteria. Em Curitiba, a renda do espetáculo vai beneficiar o Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná; e, em Londrina, o FILO - Festival Internacional de Londrina.
Com mais de 20 anos exibindo sua polivalência, Antônio Nóbrega ainda é desconhecido pela maioria do público brasileiro. No entanto, o espetáculo ‘‘Figural’’ foi aplaudido de pé no Theatre du Point du Jour, durante a abertura da 7ª Bienal de Dança de Lyon, na França. No palco, Nóbrega canta, dança, interpreta, toca rabeca, além de fazer mímicas e acrobacias, numa mistura bem dosada entre a arte popular e erudita. ‘‘Madeira que cupim não rói’’ estreou em setembro do ano passado, no Rio de Janeiro. O espetáculo viajou por São Paulo e cinco capitais do Nordeste. Neste ano, foi um dos representantes brasileiros na Expo 98, em Lisboa. Com ele, Nóbrega compôs um espetáculo em que a música estimula a participação do público, mesclando intervenções e brincadeiras pontuadas pelo humor.
‘‘Madeira’’ traz reelaborações e recriações do que o compositor chama de ‘‘a música do povo brasileiro’’, realizando uma viagem em torno de gêneros e ritmos. Ali estão o coco, maracatu, cavalo-marinho, embolada e caboclinho, material de releitura do pop-rock brasileiro atual. Na execução destes ritmos estão instrumentos pouco usuais em shows como o urucungo, marimbau de lata, violas, gonguê e violacho. O espetáculo traz a participação da atriz e bailarina Rosane Almeida e o filho de Nóbrega, Gabriel.
Pernambucano, Nóbrega iniciou sua carreira como músico nas Orquestras de Câmara da Paraíba e Sinfônica do Recife. Aos 18 anos foi convidado por Ariano Suassuna para integrar, como instrumentista e compositor, o Quinteto Armorial que recentemente apresentou-se em Curitiba e Londrina. Depois passou a estudar o universo dos artistas populares do Nordeste e interessou-se pela mímica européia e pelas formas de teatro/dança orientais.
A partir daí, passou a desenvolver um estilo próprio de concepção em artes cênicas, música e dança, através dos espetáculos ‘‘A bandeira do Divino’’, ‘‘A arte da cantoria’’, ‘‘Maracatu Misterioso’’, ‘‘Mateus Presepeiro’’, ‘‘O reino do meio-dia’’, ‘‘Figural’’, ‘‘Brincante’’, ‘‘Segundas histórias’’ e ‘‘Na pancada do Ganzᒒ, que virou CD e foi apresentado na abertura do FILO, ano passado, em Londrina. ‘‘Na pancada do Ganzᒒ rendeu ao ator/autor os principais prêmios brasileiros nas áreas de música e teatro. Nóbrega também recebeu, como criador participante da Cultura Brasileira, o Prêmio Multicultural Estadão 97 e o Ministério da Cultura 97.Arquivo FolhaAntônio Nóbrega: artista plural e reconhecimento no exteriorDa redação

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