Para o psicanalista Hélio Pelegrino, um de seus amigos mais próximos, Antonio Callado era o ‘‘doce radical’’ - o homem que era veemente na defesa de seus pontos de vista sem abrir mão da polidez, mesmo com opositores.
O apelido cunhado por Pelegrino dá nome e espírito à exposição ‘‘Antonio Callado: o Doce Radical’’, que fica aberta ao público até 29 de setembro na ABL (Academia Brasileira de Letras), no Rio de Janeiro e procura mostrar as múltiplas faces do jornalista e escritor.
‘‘Em seus textos, Callado tinha uma ironia sutil, mas também arrancava gargalhadas absolutas. Sempre se disse ateu, mas sua obra está impregnada por um sentido de religiosidade. É rotulado como doutrinário, mas nunca foi panfletário’’, diz a curadora Clarisse Fukelman sobre o escritor, morto em 1997, aos 80 anos.
A trajetória do escritor está dividida em 12 temas - entre eles, sua paixão pelo teatro, seu interesse pelos índios, sua carreira como jornalista e sua preocupação com as guerras. Para cada tema, além de fotos e trechos de seus livros, foi montado um painel com frases retiradas de textos do escritor.
Um deles, por exemplo, retrata a polidez que lhe rendeu o apelido de ‘‘caboclo inglês’’, dado por outro amigo, o compositor Tom Jobim: ‘‘Não há motivo nenhum para que mesmo as tragédias não sejam vividas com bons modos’’.
Ao lado de textos e fotos, há cartas e documentos doados pela família ao acervo da Fundação Casa de Ruy Barbosa. Em uma das cartas, Guimarães Rosa escreve ao autor suas impressões ao ler ‘‘Quarup’’. Diz que o romance ‘‘saiu grande na pintura e no desenho, nas minúcias e no todo, em fundo e na superfície. Colosso’’.
Pintura também está na mostra: retratos do autor, feitos por Portinari e João Callado, um quadro pintado de Aldemir Martins inspirado por ‘‘Quarup’’ e uma tela de autoria de Djanira.

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