Belém - Terra da castanha-do-pará, da chuva de todo fim de tarde, do açaí acompanhado por farinha e peixe frito, do cupuaçu, das danças folclóricas, do Mercado Ver-o-Peso, do Círio de Nazaré, da influência da cultura indígena, das praias fluviais e das belas mangueiras que enfeitam suas longas avenidas. Batizada Santa Maria do Grão-Pará em 1616, quando era habitada por tupinambás, Belém tem muito mais a oferecer do que o simples título de ''capital das altas temperaturas''.
A cidade que inspirou Manuel Bandeira (1886-1968) a escrever, em 1928, ''Bem Belém'' poema cujos trechos ganham destaque ao longo da reportagem não deixa nada a desejar para quem clama por uma inesquecível viagem com programação cultural de qualidade, boa gastronomia, contato com a natureza, muitas atividades ou simplesmente ficar fora de contato com o mundo.
Belém cresceu sem perder os traços da sua história, marcada na arquitetura colonial dos áureos tempo da borracha. Em maio de 2000, a área portuária da Estação das Docas, por exemplo, foi transformada em um point gastronômico e cultural. Ali funcionavam três decadentes armazéns. Das áreas que estão sendo revitalizadas, grande parte integra uma série de projetos do secretário de Cultura, Paulo Chaves.
É lá, na Estação das Docas, que fica a Cervejaria Amazon Beer, que produz cerveja preparada à base de bacuri, um dos populares frutos amazônicos. Há até quem compare a vista da Estação das Docas com Puerto Madero, na capital da Argentina. Dali partem muitos barcos de passeio pela Baía do Guajará.
Guias de turismo dão uma dica importante para quem pegar um táxi com destino às Docas. ''Se disser que vai para a Doca (no singular), será levado para a Avenida Visconde de Sousa Franco, onde se concentram bares, restaurantes e boates frequentados pelos endinheirados'', alerta o guia Marco Romero. Nada mal, diga-se de passagem. Mas se o destino desejado for a Estação das Docas, é bom deixar bem claro.
O marco da fundação de Belém é o Forte do Castelo, onde se iniciou a colonização portuguesa e se fundou a maior base de operações de conquista da Amazônia. O local serviu de refúgio durante o movimento da Cabanagem, no século 19.
Uma atração à parte é o Mercado Ver-o-Peso. Oportunidade para conhecer e experimentar todas as frutas e pratos típicos regionais. Outro evento imperdível é o Círio de Nazaré, que arrasta multidões todo mês de outubro.
Há ainda o recém-lançado Projeto Ver-o-Rio. Trata-se de um parque a céu aberto, com espaço para artistas exibirem seu trabalho e quiosques com comidas típicas, além de diversas atividades disponíveis para o lazer das crianças.
Para quem quiser tomar banho nas águas fluviais a dica é seguir para a Ilha do Mosqueiro. Também conhecida como Ilha do Amor, fica a 50 quilômetros da capital e concentra 21 belas e badaladas praias. Lá é que estão lugares paradisíacos como a Praia Baía do Sol. Na orla, construções luxuosas do início do século passado.
Para não desagradar aos hospitaleiros paraenses, jamais peça uma porção de açaí com granola. ''É uma ofensa'', explica Romero. Para os nativos, o açaí é acompanhamento das refeições. Na cidade, toda casa que vende o produto é identificada por uma bandeira vermelha. Entre e peça um sorvete. Não há ''alta temperatura'' que resista.
Viagem feita a convite da CVC.

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