Na antiga Grécia, acreditava-se que as proporções determinavam a beleza. Fórmulas matemáticas eram aplicadas tanto em projetos arquitetônicos quanto em figuras humanas. As figuras de Leonardo da Vinci e Michelangelo apresentavam as medidas que os gregos consideravam perfeitas.
Na Renascença, o padrão de beleza era muito diferente dos atuais. Mulheres cheinhas, com formas arredondadas eram sinônimo de fartura, status e até divindade. Os modelos não desfilavam roupas de grife, eram mais comuns posando para pintores e escultores. Mas, a partir de 1900, as modelos assumiram o ''palco'', representando as expectativas femininas e assumindo medidas mais esguias.
No início do século 20, a imagem da mulher estava mais ligada aos movimentos sociais que ferviam na época, principalmente em relação ao direito de participar mais ativamente da vida política. Por isso, as manequins eram mulheres mais velhas, com quadris largos e seios fartos. Entre as personalidades mais populares se destacava Isadora Duncan, professora de dança, que nasceu na Califórnia em 1877. Isadora representou para as mulheres a liberdade pura, principalmente quando eliminou do vestuário diversas camadas de roupa.
A primeira Grande Guerra, em 1910, teve forte influência sobre a imagens das manequins, figuras mais delgadas. A estilista Coco Chanel era uma das personalidades de maior destaque. Dez anos mais tarde, as pernas começaram a aparecer, com as dançarinas. Entre as mulheres em evidência, Josephine Baker, que com frequência se apresentava nua em espetáculos ou coberta apenas por penas de avetruz. Josephine popularizou a imagem da mulher negra e os adornos étnicos.
Entre as décadas de 30 e 50, as mulheres do cinema conquistaram o imaginário popular. As manequins para vestuário eram de cera. Somente no final dos anos 50, a Casa Dior popularizou a cinturinha de pilão com desfiles nos atelies de estilistas que começavam a despontar na sociedade.
Twiggy, a inglesa que tornou-se conhecida na década de 60 e foi definida pelo jornal londrino ''Daily Express'' ''The Face of 1966'' (O rosto de 66), mudou os padrões de uma época. Ao contrário da generosa Marilyn Monroe, a adolescente ganhou fama com 1,57 m e 43 quilos. Na mesma época, Brigitte Bardot também era ícone, fazendo um contraponto com quem preferia mulheres mais próximas da realidade. Contudo, BB logo deixou a carreira de modelo e ganhou o cinema. Nos anos seguintes, as manequins da era hippie, de todas as raças, continuavam magras. E, nos anos 80, a moda esportista ganhou as passarelas. Época em que as manequins também passaram a ostentar músculos mais definidos.
Somente nos anos 90, nasceram as ''tops'', cuja fama ultrapassou os limites das passarelas. Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Cindy Crawford, Nadia Auermann, Christy Turlington, Tatjana Palitz e a camaleoa Linda Evangelista (linda até com peruca verde). Desde então, o termo manequim foi esquecido e as modelos assumiram definitivamente o manequim 38. As medidas aproximadas: 1,75m, 89 centímetros de busto e quadril, e 50 quilos. E, no início deste terceiro milênio, todas querem ser como Gisele, que ainda impera toda poderosa no mundo fashion.(L.R./AE)

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