AS 'MEMÓRIAS VISUAIS' DE GILBERTO SALVADOR
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Rodrigo Souza Grota<BR>De Londrina 
Certamente Camões nem imaginava, quando salvou seus textos no meio do Atlântico, que hoje eles estariam disponíveis para leitores dos cantos mais inusitados do mundo. Os originais de ''Os Lusíadas'' foram salvos, diz a lenda, em detrimento de sua musa.
O site www.instituto-camoes.pt é na verdade um portal destinado ao imaginário português, incluindo em seu conteúdo as mais diversas conexões que se pode fazer com Camões, José Saramago, Fernando Pessoa, Manoel de Oliveira e outros gênios do criatico português.
Sobre Camões, não são necessárias referências, pois o leitor deve conhecê-lo assim como um britânico idolatra Shakespeare. Talvez seja bom citar apenas uma frase do estudioso Caio Leite de Barros: ''Quem não leu Camões não é, em verdade, alfabetizado no universo português. É essencial para conhecer as idiossincrasias e possibilidades desse imaginário conhecer ao menos os vernáculos desse gigante''.
A homepage, mantida pelo Instituto Camões desde 1998, traz uma gama considerável de links: ''Agenda Semanal'', ''Iniciativas Culturais'', ''A Nossa Língua Portuguesa'', ''Português Língua Estrangeira'', ''Estudos Portugueses no Estrangeiro'' e um jornal literário intitulado Camões. São links voltados para atividades acadêmicas principalmente relacionadas ao autor.
Entretanto, o melhor do site são as ligações com outros artistas lusófonos, incluindo cineastas, artistas plásticos, músicos, escritores. Em uma entrevista com o diretor Manoel de Oliveira, autor de ''Inquietude'' e ''O Convento'', o cineasta diz que os filmes de Glauber Rocha eram banhados por uma pureza rara, uma pureza verdadeiramente cinematográfica. Há comentários de Saramago, autor contemporâneo, tão próximo a Fernando Pessoa, quando se trata da angústia existencial, e de Camões, quando o assunto são novas formas linguísticas.
Outra boa opção para o internauta é o link ''bolsas'', que oferece ao leitor possibilidades de receber uma bolsa para estudar português. Há também ''leitorados'', espaço dedicado aos leitores; um especial sobre o prêmio Camões 2001, Eugênio de Andrade; ''cátedras'', uma lista de centros de estudos portugueses; ''Revista Camões'', uma ótima publicação dedicada ao mister da escrita; ''Descobrimento do Brasil'', em que as relações com o nosso País são aprofundadas e ''Filosofia Portuguesa'', uma introdução ao pensamento iniciado na Idade Média. O leitor não irá se queixar de falta de informação e poderá ter uma fonte segura quando quiser investigar o que ocorre em nossa pátria irmã. Se a poética de Camões foi preservada nesses últimos cinco séculos; agora, como nunca, pode-se dizer que ela reina sobre mares nunca dantes imaginados.
[email protected]


