As melhores festas - Cá pra nós (Elisiê Peixoto)
Cá pra nós
Elisiê Peixoto
As melhores festas
Uma vez escrevi sobre o tempo de faculdade, quando eu e meus amigos do curso de Comunicação Social nos finais de semana nos reuníamos sempre no mesmo lugar para colocar a conversa em dia. Então estava combinado: na sexta-feira à tarde, cada um pegava o mesmo caminho e se encontrava no barzinho do seo Tonho, um lugar sem grandes pretensões, com a cara do dono: simples, bem-humorado e com muita categoria, como o próprio gostava de frisar. Foi assim durante muito tempo e numa época em que as apostilas da faculdade e os projetos de vida estavam sempre presentes e ao mesmo tempo distantes. A gente se divertia com muito pouco e o futuro de cada um só mesmo a Deus pertencia.
Quando lembro que costumávamos sentar naquelas cadeiras desconfortáveis, comer pasteizinhos recheados de vento sem o menor padrão de refinamento e conversar alto como se fôssemos a única roda de amigos do planeta, não deixo de comparar às festas atuais, algumas tão cheias de pompas e frescuras que se tornam chatas, monótonas.
Mas esta semana fui ao aniversário da Andréa Gradia, uma amiga muito querida, empresária de sucesso, mas que sei, não iria se importar da maneira como eu iria aparecer no happy hour que organizou para uma legião de colunáveis. Gostaria sim, que eu fosse. E fui da maneira mais displicente possível, esticando da academia de ginástica até o encontro organizado nos trinques. E fazia tempo que não me sentia tão bem num lugar. O astral era tão bom que, mesmo o local sendo refinado, me lembrou os encontros de amigos da faculdade. Uma festa pode ser a melhor de todas desde que você se sinta à vontade para ir de tênis e roupa de ginástica caso seja necessário. Quando as pessoas exigem demais e a anfitriã sufoca você de atenções, até para cruzar as pernas é necessário pensar duas vezes.
Já fui a festas em que o staff de empregados é tão grande, o serviço de mesa tão requintado, os anfitriões tão esnobes, que a vontade é gritar por socorro. Isso sem falar no brinde da noite: um sommelier de quem todo mundo foge e que cai na sua mesa e fala o tempo todo.
Festas elegantes fazem parte de qualquer circuito social. Mas depois de ir a tantas, uma coisa ficou clara: festa animada, daquelas que a gente quer ficar até o finalzinho, tem que ter o ingrediente principal: informalidade.
Já fui a recepções em que a noiva ficou de pescoço duro a festa toda para não estragar o penteado e equilibrar a grinalda. Na verdade nem aproveitou aquela recepção bonita oferecida pelos pais. Bem diferente do casamento de uma prima minha em que todo mundo dançou Lulu Santos e Jota Quest até altas horas, a noiva apenas apresentou os drinques e cada um se serviu por conta. Os garçons passavam a todo instante com canapés deliciosos, o bolo foi acompanhado apenas por champanhe. Em cada mesa havia uma máquina fotográfica Kodak descartável para os próprios convidados fotografarem os lances da festa. Nada de pose feita de mesa em mesa. Conclusão: Os noivos ficaram até o final da festa aproveitando até o último minutinho e desfrutando da companhia dos amigos. Ainda bem que não teve aquela coisa esquisita do casal sair de fininho ou da mãe se debulhar em lágrimas porque a filha saiu do ninho. Tem coisa mais brega?





