Então um rapaz alto com uma máscara branca entra no palco e, de repente, encontra com uma pessoa bem menor, com um ''rosto'' parecido Mas diferente Em seguida, a necessidade de entendimento leva os dois a uma série de movimentos, gestos e sugestões que levam o público a pensar sobre o evento, criar sua própria história por meio dessas pequenas provocações A cena faz parte do premiado espetáculo ''Larvárias'', que já passou por mais de 70 cidades pelo Brasil e pelo exterior e é apresentado pela primeira vez, neste final de semana, em Curitiba
''O espetáculo nasceu de um apaixonamento imediato que tive quando vi as máscaras larvárias pela primeira vez, em Londres, 1996 Fiquei encantada com o potencial poético dessas máscaras'', explica a atriz, diretora e professora Daniela Carmona, que atua na peça ao lado de Adriano Basegio, ambos da Cia do Giro, de Porto Alegre
As máscaras larvárias são como rostos brancos, inacabados, que lembram insetos, e foram inspiradas na estética do carnaval de Basel, na Suíça ''Essa estética é muito recente no universo teatral, não foi criada para o teatro Foi introduzida no teatro pelo Jacques Lecoq na década de 60 É pouquíssimo tempo para amadurecer como uma estética Por isso acho que é uma espetáculo inédito, não há um só com máscaras larvárias que eu conheça'', assegura Daniela
Para a companhia, de acordo com Daniela, a história é bem definida, linear Discorre sobre os encontros e desencontros, em um imenso mundo branco, onde os homens e bichos estão em um estado intermediário ''Não estão definidas as qualidades humana e nem animal E sim a capacidade de se metamorfosear ''
A sacada, então, está em compreender como a indefinição, o branco e a sugestão dão espaço para as provocações causadas pelas máscaras larvárias ''Existe um potencial poético, uma suavidade Por exemplo, nunca conseguiria improvisar uma cena com sangue, por causa desse universo branco e delicado As cenas não trazem uma história trágica Então há pequenas histórias líricas, com humor e graça, sobre encontros e desencontros'', explica Daniela
Formular e compreender metáforas, então, torna-se essencial para o espetáculo ''A metáfora quem cria é o espectador, que tem espaço para fazer seu próprio espetáculo A peça é toda branca e quem tem as cores para pintar é quem está vendo, pois cada um tem seu universo de símbolos e signos ''
Serviço
- Espetáculo 'Larvárias'
Quando - Hoje e amanhã, às 21h, e no domingo, às 19h
Onde - Teatro da Caixa (R Conselheiro Laurindo, 280), em Curitiba
Quanto - R$ 10 e R$ 5 (meia)
Classificação - Não recomendado para menores de 7 anos
Informações - (41) 2118-5111 e pelo site www caixa gov br/caixacultural

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