O interior do Brasil é um cenário recorrente nas novelas das seis da Globo. E as belas paisagens naturais, as temáticas do campo e os costumes característicos funcionam como bom pano de fundo para ingênuas histórias de amor. ''Araguaia'', novela de Walther Negrão que estreia amanhã, traz todos esses elementos de volta ao horário. Só que, desta vez, a produção aposta na mistura de traços rurais e urbanos para levar ao ar uma trama mais moderna.
Ambientado às margens do Rio Araguaia, em Goiás, o folhetim apresenta um interior desenvolvido, conectado tecnologicamente e impulsionado pelo ecoturismo, mas ainda ligado à cultura indígena e às lendas locais. ''É uma região onde tradição e modernidade convivem de maneira surpreendente. Vamos retratar o Araguaia a partir dessa realidade de contrastes'', teoriza o diretor Marcos Schechtman, que gosta de usar o neologismo ''rurbano'', criado pelo sociólogo Gilberto Freyre, para definir o local.
A trama conta a saga de Solano (Murilo Rosa), um corajoso domador de cavalos que se muda para o Araguaia decidido a desafiar uma maldição indígena que condena todos os homens de sua família a morrer à beira do rio. No local, ele se apaixona pela mimada Manuela (Milena Toscano), filha de seu maior inimigo, o rico e desonesto fazendeiro Max (Lima Duarte).
Lutando por melhores condições de vida para a população local, Solano lidera a construção de uma cidade cooperativista chamada Girassol. ''Ele é um típico herói romântico, mas com uma dose de humor e ironia. Vive um amor de gato e rato com a Manuela, mas também se apaixona pela Estela'', adianta Murilo, referindo-se à personagem de Cléo Pires, que interpreta a viúva de Fernando (Edson Celulari), pai de Solano que morre logo no início da história, vítima da maldição.
Para gravar os primeiros capítulos da novela, os atores passaram cerca de 40 dias no distrito goiano de Luis Alves, às margens do Rio Araguaia. E tiveram de encarar uma rotina intensa que começava às quatro da manhã e terminava às cinco da tarde, para que as gravações captassem o nascer e o pôr-do-sol. ''Foi um esquema de guerrilha. Mas todo mundo estava empolgado, adorando fazer a novela. Foi um perrengue gostoso'', recorda Cléo Pires, que já conhecia a região e virou uma espécie de guia para os colegas de elenco.
As demais cenas são realizadas em uma cidade cenográfica de 21 mil metros quadrados construída no Projac, inspirada nas cores e formas do Centro-Oeste. Entre os destaques da cenografia está a fazenda do vilão Max, que materializa o estilo rural e imponente do personagem, um homem rico com o garimpo de cristal na região, nos anos 60.
Dono de muitas terras e de uma vasta criação de gado, ele vê seu império em risco com a chegada de Solano, que luta contra a tirania do fazendeiro. O mocinho é neto do único amor verdadeiro de Max, a falecida Antoninha, vivida por Regina Duarte. ''O Max é um homem que se perdeu de amor e enlouqueceu. Isso norteia a vida dele desde a juventude'', descreve Lima Duarte.
Para lutar contra Solano, Max conta com a ajuda de Vitor Vilar, um empresário ambicioso que é noivo de Manuela e parceiro nas armações do fazendeiro. ''Eles vão se unir para tentar separar os dois. Mas a Manuela tem um temperamento muito forte e, apesar de ligada à família, não vai ser fácil de levar'', analisa Milena Toscano.
Sem perder a piada
A faixa das 18h da Globo costuma ser ocupada por tramas leves. Para contrabalançar uma história que gira em torno de uma maldição e tem dois fortes vilões, ''Araguaia'' conta com um núcleo cômico circense, além de uma agitada operadora de turismo às margens do rio que traz mais vida à cidade. ''Como temos a maldição na história, cuidei de aumentar a dose de humor, incluindo personagens leves e de bem com a vida. Gostaria que as pessoas viajassem com a novela'', empolga-se o autor Walther Negrão.
A promessa de boas risadas se concentra no Gran Tenório, um circo mambembe comandado pela vidente Terê (Thaís Garayp). Em um carroção que serve de moradia, bilheteria, palco e escritório, o circo tem como grande estrela o sedutor Neca Tenório (Emílio Orciollo Netto), que acumula diversas funções, entre elas a de malabarista, mágico e dançarino. ''Ele é uma espécie de galã de padaria. Quer conquistar todas as meninas e se divertir'', analisa Emílio.

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