As mais mais do século XX
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sábado, 20 de dezembro de 1997
Antônio Mariano Júnior Londrina 
ReproduçãoAry Barroso, compositor de Aquarela do Brasil: música escolhida pelos jurados para o primeiro lugarA informação passou quase despercebida. Poucos leram, poucos souberam. Por isso, a Rádio Universidade Fm apresente amanhã, dentro do Programa Viva a Música, às 11 horas, as catorze melhores canções brasileiras do século eleitas a pedido da Academia Brasileira de Letras em comemoração aos seus 100 anos. E coube um grupo de pesquisadores e jornalistas ligados à MPB selecionar as 14 mais belas canções. O programa será reapresentado na próxima sexta-feira, às 16 horas. A produção e apresentação do programa fica a cargo de Samira Prioli Jayme.
Há surpresas e mais surpresas. Para não dizer injustiças. Eu não concordei com todas as músicas eleitas porque temos muitas coisas boas. O fato de Garota de Ipanema não ter entrado me soou meio estranho- comenta Samira Jayme. Em primeiro lugar ficou a ufanista Aquarela do Brasil (Ary Barroso) que será interpretada por Tim Maia. Entre as demais, nos extremos, ficaram Abre Alas (Chiquinha Gonzaga, de 1900) e O Bêbado e o Equilibrista (João Bosco e Aldyr Blanc, 79).
O mais estranho é que nenhuma música da década de 80 para cá foi incluída na relação das 14 melhores do século. O que, por si, já merece questionamento. Afinal, compositores magníficos deram significativas contribuições tanto em termos melódicos quanto em letras. Mas vai saber quais os critérios de avaliação do corpo de jurados...
Mais cançõesPara se chegar às catorze músicas - número ideal para a confecção de um CD; falta apenas a boa vontade de uma gravadora - os jurados chegaram a citar 67 canções. Entre elas, Conversa de Botequim (Noel Rosa), Feitiço da Vila (Noel Rosa- Vadico), Foi um Rio que Passou em Minha Vida, Sinal Fechado (ambas de Paulinho da Viola), Ronda (Paulo Vanzolini), A Banda (Chico Buarque), Aquele Abraço (Gilberto Gil), entre outras.
Uma curiosidade: da Jovem Guarda, apenas uma música foi citada - Quero que Tudo Vá pro Inferno (Roberto e Erasmo Carlos) que, ironicamente Roberto Carlos não ousa cantar mais para não ferir seus princípios religiosos. O corpo de jurados foi composto pelos seguintes pesquisadores: Albino Pinheiro, Ary Vasconcelis, Jairo Severiano, Lena Frias, Sérgio Cabral, Ricardo Cravo Albin e Luiz Fernando Vieira (presidente da Associação Brasileiras dos Pesquisadores de MPB).
Fizeram parte ainda os seguintes jornalistas: João Máximo (O Globo), Tarik de Souza (Jornal do Brasil), Jorge Ferreira dos Santos (O Dia), Carlos Rennó (Folha de São Paulo), Okky de Souza (Revista Veja) e Ruy Castro (O Estado de São Paulo). O jeito é ouvir o programa Viva a Música para saber quais são as melhores músicas do século. Ouvir, sim. Concordar com as escolhas, isso já são outros quinhentos.


