O branco-e-amarelo das duas torres da Igreja Matriz de Santo Antônio se destaca entre os telhados dos casarões antigos. Localizada num dos pontos mais altos de Tiradentes, a Matriz pode ser vista de quase todos os cantos da cidade.
Mas se não conseguir avistá-la não se preocupe. Você sempre terá à vista uma cruz, um teto, uma parede ou algum pedacinho dos templos religiosos que a cidade abriga. Ao todo são quatro igrejas, três capelas, sete passos (pequenas capelas) e um santuário. Uma lista bastante extensa para uma cidade de apenas 83 quilômetros quadrados.
A suntuosidade do interior da Matriz deixa qualquer um boquiaberto e, de certa forma, esconde a beleza das outras igrejas, bem mais simples. Um dos mais belos templos barrocos do Brasil, ela só perde em quantidade de ouro para a Igreja Matriz de São Francisco, em Salvador (BA). São cerca de 480 quilos do nobre metal que, revestindo pilastras, imagens e adornos, ofuscam o olhar dos visitantes. Mas a riqueza não está só no dourado. Os detalhes em rococó e a perfeição com que anjos, pássaros e santos foram talhados são impressionantes.
As pinturas também dão um show. Perto do altar principal fica a Última Ceia, à esquerda, e as Bodas de Canaã, à direita, em enormes quadros pintados por João Batista da Rosa, em 1736. O órgão rococó vindo de Portugal em 1788 funciona em ocasiões especiais. Pela magnificência é considerado um dos 15 mais importantes do mundo.
A fachada da Matriz foi refeita após quase cem anos de existência, a partir de um projeto do mestre Aleijadinho. Uma curiosidade: é a única igreja da cidade com torres.
Além dos R$ 2 de entrada, quem quiser mais detalhes deve reservar R$ 5 para o fim de semana, quando ocorre o chamado Roteiro Narrado. Durante 15 minutos, luzes iluminam os detalhes e cantinhos da Matriz que vão sendo comentados.
Provavelmente a primeira igreja que você verá será a Capela de Bom Jesus da Pobreza, no Largo das Forras, o ponto de chegada dos turistas. Escondida pelas árvores da grande praça, a pequena capela se caracteriza pela simplicidade. Da segunda metade do século 18, seu maior destaque é uma pintura no forro e a imagem de Cristo Agonizante, com olhos de vidro e, nas feridas, os típicos ''rubis'' substância parecida com a pedra preciosa após passar por reações químicas imitando sangue. Mas só é possível conhecê-la quando há exposições.
Do Largo das Forras é possível ver outra capela, a de São Francisco de Paula, no alto de uma colina. À sua frente, além da melhor vista da cidade, há um cruzeiro, instalado em 1718, que marca a data em que o então Arraial de Santo Antônio do Rio das Mortes foi elevado à Vila de São José del Rei.
Não deixe de passar pela Rua da Cadeia, onde fica outro tesouro: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída em quartzito no início do século 18. Sua história é interessante: foi construída às escondidas por escravos. O ouro que hoje brilha em seus altares era roubado dos senhores e levado no cabelo e nas unhas para a igreja durante a noite. Seu interior está sendo restaurado, mesmo assim, vale a pena pagar a entrada de R$ 1 para apreciá-la melhor.
Também cheia de histórias, diz a lenda que a singela Igreja de São João Evangelista servia de refúgio aos inconfidentes que se reuniam na vizinha casa do padre Toledo hoje um museu.
Se quiser sossego para rezar ou refletir sem a presença de tantos turistas vá ao Santuário da Santíssima Trindade. Mais afastado do centro, o lugar reserva a paz digna de um momento de meditação. Por dentro, a igreja não tem ouro, mas revela pinturas de um colorido peculiar. Foi sobre a proteção desse templo que o alferes Tiradentes, devoto da Santíssima Trindade, exigiu que a bandeira da Nova República, idealizada pelos inconfidentes, tivesse o triângulo da Trindade, mais tarde usado na bandeira do Estado de Minas Gerais.
O roteiro fica completo com a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e a Capela de Santo Antônio do Canjica, relativamente próximas. Sem contar com os passos, que só abrem na Semana Santa, verdadeiras relíquias que guardam ricos altares, delicadas pinturas e a enorme fé do povo mineiro.

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