Uma criança brincando com um barquinho de papel na água. Um rapaz com o olhar concentrado, em um escritório. Um senhor descansando em uma cadeira, sob forte sol. Imagens do cotidiano, que à primeira vista, de longe, parecem fotografias. De perto, revelam-se fortes pinceladas, carregadas de tinta, entre sutis variações de cores, que vão formando uma incrível combinação de elementos em harmonia. Isso é um pouco do talento de Joaquín Sorolla (1863-1923), o mais importante representante do iluminismo espanhol, que tem exposição inédita em cartaz a partir desta semana, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba.
A exposição ''O olhar do pintor Joaquín Sorolla'' desembarca pela primeira vez no Brasil e vem diretamente do Museu Sorolla. ''Essa exposição vem da casa Sorolla, onde temos 1.270 quadros de Joaquín. E trouxemos para cá 39 desses quadros, para que o público daqui compreenda a pintura dele'', explica a curadora, Maria Luísa Menéndez. A mostra foi dividida em cinco núcleos temáticos: os retratos, as paisagens da Espanha, os jardins e pátios espanhóis, a Espanha em Nova Iorque e as marinhas.
Como um excepcional retratista, Sorolla se destacou por empregar notável técnica de pinceladas enérgicas em painéis, que, com poucos traços, completavam-se de forma muito rica. ''Ele gostava muito de observar a luz das diferentes horas do dia para pintar as cores de acordo com a luz, ora em pinceladas largas, ora sutis'', comenta Maria Luísa.
Outra grande qualidade do pintor era a de executar suas obras rapidamente, já que era fascinado pelo instante fotográfico de suas inspirações. Um dos painéis, por exemplo, foi realizado em apenas dois dias. ''Ele sempre teve essa paixão pelo instante, como o grande retratista que foi. Suas pinceladas eram firmes, sem correção.''
As obras de Sorolla estão presentes na Argentina, em Chile e em Cuba, mas nunca estiveram por aqui. ''Um aristocrata levou as obras para a Argentina há alguns anos mas elas nunca estiveram por aqui. As exposições de Sorolla levaram mais de meio milhão de pessoas ao Museu do Prado (em Madri) e essa é uma boa oportunidade para conhecê-lo aqui no Brasil'', convida a curadora.

Serviço
- O Olhar do pintor Joaquín Sorolla fica até o dia 28 de fevereiro
- Figuras e Padrões - A encomenda do azulejo em Portugal, do século XVI à atualidade fica até o dia 11 de abril
Onde - Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. As visitações estão abertas de terça a domingo, das 10h às 18h
Quanto - R$ 4 e R$ 2 (estudantes). Gratuito para grupos agendados da rede pública do ensino médio e fundamental, para estudantes até 12 anos, pessoas maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês.

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