Divulgação/Fábio RiesembergA atriz Raquel Anastácia comanda a oficina ‘‘O Corpo Sonoro’’ que começa hoje na ArcádiaO ator costuma iludir-se e representar para si muito mais que para a platéia. Mais ou menos é isto o que vem ocorrendo com a maioria dos profissionais quando sobem ao palco: esbanjam tensão pensando que estão sendo dramáticos. ‘‘O ator se sufoca de emoção daquilo que está fazendo e não passa nada para a platéia. Fica com ele’’, critica a atriz Raquel Anastásia. Para não ficar somente no discurso, entre hoje e o dia 11 ela promove na Arcádia, em Curitiba a oficina ‘‘O Corpo Sonoro’’.
O corpo fala dentro de uma linguagem ampla, repleta de tonalidades, mas a tendência do pessoal de teatro é ater-se a um tipo de representação e chamar a isso de ‘‘estilo’’. Raquel Anastásia quer mudar esses conceitos através do curso. Ela usa exercícios de Tai-Chi-Chuan, de precisão, da consciência do plexo (região central do corpo), do repertório de movimentos.
‘‘Na arte de interpretar é necessárui saber construir e criar a respiração do personagem, o andar, as nuances de interpretação de cada movimento. Como retorno o ator tem domínio do corpo e liberdade para criação, além da quebra das tensões’’.
‘‘Trabalho com nuances de energia’’, explica a atriz. A energia flui, ganha espaço, chega até a platéia. Ela é diferente da tensão que é um sentimento aprisionado, limitado. Nestes casos perde-se a capacidade da tonalidade nos gestos, nos movimentos, na voz - um elemento primordial para a interpretação.
A intimidade energética Raquel conheceu durante a temporada de um ano emm Paris. Lá travou contato com o inglês Peter Brook e o polonês Jerzy Grotowsky, dois nomes dos mais importantes da cena teatral internacional.
Nessa mesma época estagiou com Ariane Mnouchkine, diretora do Teatro de Soleil, além de fazer curso de mímica com Thomas Leabhart, discípulo do criador da mímica moderna, Ettienne Decroux. Os quatro anos em que integrou o Grupo Macunaíma, em São Paulo, também foram de grande valia, observa.
Como a oficina de auto-consciência corporal foge às regras dos habituais cursos que pipocam na área, nem sempre agrada aos participantes. ‘‘Tem vezes que as pessoas se assustam com o curso. Não é todo mundo que aceita suas falhas e vícios’’.

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