O best-seller da especialista inglesa, Philippa Gregory, ''The Other Boleyn Girl'', pretendeu trazer a público o resultado de exaustiva pesquisa sobre episódios da vida do rei Henrique VIII, especialmente o que houve de verdade por trás de seu segundo casamento. No centro da trama, as irmãs Mary e Ana, da quase nada importante família aristocrata Boleyn. Pressionadas pelo pai e pelo tio ambiciosos a integrarem a corte real inglesa e a se aproximar ao máximo do rei, as duas foram protagonistas de uma apimentada intriga palaciana que um dia fatalmente terminaria em filme.
E é este filme, realizado em 2007 e batizado no Brasil como ''A Outra'', que está em exibição na cidade. Estréia do realizador Justin Chadwick, tarimbado diretor de séries televisivas, a adaptação sofre exatamente deste problema - que para muitos não é exatamente um problema -, isto é, tem mais feição de telefilme do que qualidades de um longa-metragem para cinema. De qualquer maneira, o argumento e como ele é entregue ao público não deixa de ser interessante como tentativa de desvendar um dos mais célebres quiprocós da crônica da casa real inglesa.
Muito diferentes uma da outra, Mary (Scarlet Johansson) é tímida e insegura, mas é quem primeiro se aproxima e seduz Henrique. Torna-se amante dele e lhe dá dois filhos ilegítimos. Ana (Nathalie Portman) é mais direta e destemida, e consegue controlar a volátil corte inglesa, afastando a Rainha Catarina e a irmã Mary das proximidades do rei. Cada uma das irmãs tem objetivos diferentes. Mary quer o amor do soberano. Ana, o poder. Através do tempo, os dramas amorosos coincidem com o primeiro período de instabilidade e divisão na corte.
Como os fatos narrados em livro e filme são verídicos, obviamente a trama não tem um desfecho de conto de fadas. Aliás, o desfecho já era conhecido: Henrique fica com Ana, que no entanto será literalmente descartada mais tarde para que o rei fique com nova mulher. Embora um filme não exatamente memorável, já que a história inglesa serve como mero pano de fundo para os enlaces amorosos, ''A Outra'' se beneficia de faustosa reconstituição de época e de um elenco cuja tônica é a correção. O destaque é Natalie Portman como a calculista Ana. Scarlett Johansson fica aquém de expectativas, enquanto Eric Bana, o judeu vingador no ''Munique'' de Spielberg, aparece sem muita convicção/ postura/ personalidade como o mulherengo incurável.

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