A fotógrafa paulistana Sônia Borges não se contenta com o resultado imediato e puro da fotografia. Enveredou pelos caminhos da experimentação fotográfica interferindo e movimentando a imagem. O resultado obtido instiga a imaginação do espectador, como na série de auto-retratos e sobreposições presentes na exposição ‘‘E’’. As imagens transformadas podem ser conhecidas a partir de hoje, em Londrina, na Sala Celso Garcia Cid, no Cine-Teatro Ouro Verde.
A série de sete trabalhos – sépia e cor – texturizados, apresentam movimentos e remetem às cores das fotos do fim do século XIX. O resultado de algumas fotografias se assemelham à pintura abstrata e monocromática, que exige um olhar atento do visitante. Em outros, o resultado pode ser confundido com figuras fantasmagóricas. A técnica sofisticada é produto de interferência em laboratório, tanto na ampliação como na sobreposição.
De São Paulo, Sônia Borges explicou à Folha2 que nas fotos em que usa o recurso da refração, ela coloca a imagem ou escultura atrás de frascos de vidros transparentes e cheios de água. A partir da manipulação das imagens com iluminação específica, ela fotografa e obtém uma composição dinâmica que instiga os olhares. Dessa forma, é possível explorar as possibilidades múltiplas de um mesmo objeto.
A artista plástica trabalha com auto-retrato com sobreposição da obra de Francisco de Goya (1746-1828), um dos maiores mestres da pintura espanhola. Na obra denominada ‘‘Saturno’’, Sônia Borges se abastece das imagens pictóricas de Goya e trabalha em parceria com o espanhol. Por isso, a exposição se chama ‘‘E’’.
Sônia Borges é autodidata em fotografia e desenvolve pesquisa prática de processos alternativos na área. ‘‘E’’ fica na Sala Celso Garcia Cid até o dia 15 de julho, com promoção da Divisão de Artes Plásticas da Universidade Estadual de Londrina.
• ‘‘E’’, exposição de fotografias de Sônia Borges. De hoje até 15 de julho, na Sala Celso Garcia Cid no Cine-Teatro Ouro Verde de Londrina (Rua Maranhão, 85). Entrada gratuita.

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