AS IMAGENS DE SÔNIA BORGES
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de junho de 2001
Francelino França De Londrina 
A fotógrafa paulistana Sônia Borges não se contenta com o resultado imediato e puro da fotografia. Enveredou pelos caminhos da experimentação fotográfica interferindo e movimentando a imagem. O resultado obtido instiga a imaginação do espectador, como na série de auto-retratos e sobreposições presentes na exposição E. As imagens transformadas podem ser conhecidas a partir de hoje, em Londrina, na Sala Celso Garcia Cid, no Cine-Teatro Ouro Verde.
A série de sete trabalhos sépia e cor texturizados, apresentam movimentos e remetem às cores das fotos do fim do século XIX. O resultado de algumas fotografias se assemelham à pintura abstrata e monocromática, que exige um olhar atento do visitante. Em outros, o resultado pode ser confundido com figuras fantasmagóricas. A técnica sofisticada é produto de interferência em laboratório, tanto na ampliação como na sobreposição.
De São Paulo, Sônia Borges explicou à Folha2 que nas fotos em que usa o recurso da refração, ela coloca a imagem ou escultura atrás de frascos de vidros transparentes e cheios de água. A partir da manipulação das imagens com iluminação específica, ela fotografa e obtém uma composição dinâmica que instiga os olhares. Dessa forma, é possível explorar as possibilidades múltiplas de um mesmo objeto.
A artista plástica trabalha com auto-retrato com sobreposição da obra de Francisco de Goya (1746-1828), um dos maiores mestres da pintura espanhola. Na obra denominada Saturno, Sônia Borges se abastece das imagens pictóricas de Goya e trabalha em parceria com o espanhol. Por isso, a exposição se chama E.
Sônia Borges é autodidata em fotografia e desenvolve pesquisa prática de processos alternativos na área. E fica na Sala Celso Garcia Cid até o dia 15 de julho, com promoção da Divisão de Artes Plásticas da Universidade Estadual de Londrina.
E, exposição de fotografias de Sônia Borges. De hoje até 15 de julho, na Sala Celso Garcia Cid no Cine-Teatro Ouro Verde de Londrina (Rua Maranhão, 85). Entrada gratuita.


