São Paulo, 07 (AE) - Em 1971, José Wilker, Renata Sorrah e Carlos Vereza montaram no Teatro Ipanema a peça "As Hienas", de Braúlio Pedroso. Era um tempo de metáforas e as hienas do título, que perseguiam três atônitos personagens, remetiam a um outro tipo de perseguidores. Apesar da censura prévia, a peça foi proibida após 25 dias de temporada. Pelo visto, a força do texto só foi percebida na montagem.
Vendo na peça uma denúncia ao imobilismo e um estímulo à transformação, ou seja, um tema atemporal, os jovens integrantes do grupo CincoinCena decidiram remontar "As Hienas". Depois de passar pelo Fringe, a mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba, o espetáculo, dirigido por Márcia Mendonça, estréia amanhã (08) no Teatro Sérgio Cardoso.
Na peça, três personagens fogem do ataque de hienas e encontram-se numa sala aparentando ser uma cela, único ponto de fuga disponível. Ali, começa uma relação entre eles, que vai aos poucos revelar sentimentos mais profundos. "Na verdade, cada um deles sabe que precisa transformar sua vida, mas não o faz por medo", diz Marco Aurélio, um dos atores do grupo.
A oportunidade está nesse encontro inesperado, embora nem todos consigam. Aurélio interpreta Vítor, um homem abandonado pela mulher, que se recusa a olhar a realidade de frente. Se a mulher o abandonou, pior para ela, pensa. Ela é que não soube ver as qualidades de seu companheiro. "Ele tenta o tempo todo iludir-se de que é o máximo", observa o ator.
Márcio Marconato vive Pedro, casado, funcionário público
aquele típico cidadão bem-comportado, tributável e infeliz. Lívia Lisbôa é Ana, uma mulher carente e solitária, sempre se jogando em relacionamentos relâmpagos e insatisfatórios. "Em sua busca ansiosa, ela acaba por ferir-se profundamente".
Na adaptação, o grupo retirou falas datadas, como referências às fardas dos militares. No lugar, entraram o estresse urbano, a síndrome de pânico, a competição e o consumismo desenfreado, novas fontes contemporâneas de paranóia. (B.N)

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