A vida é um presente ganho, e nessa amplidão de um tempo finito, quantos ganhos, quantas perdas? Maria Christina de Andrade Vieira, que carrega em sua história acúmulos de outras histórias, lança sexta-feira, na Simões de Assis Galeria de Arte, em Curitiba, o livro ‘‘Herança’’, publicado pela Editora Senac, de São Paulo.
O título abre-se a entendimentos diversos, seja do Banco Bamerindus, fundado por seu pai, como os ensinamentos de vida. Maria Christina diz que essa herança, feita ‘‘de princípios, de valores, de raízes daquilo que aprendi com meus pais’’ é, basicamente, a que ela se refere neste trabalho. ‘‘É isso que a gente tem na vida. Porque o resto vaivém; herança material é coisa boba. Você tem, deixa de ter’’.
As 197 páginas do livro passeiam por momentos diversos, mas o pano de fundo sustenta-se nas questões de valores morais, espirituais, de integridade do caráter. ‘‘Estas são questões permanentes; então meu livro é de experiências, recortes daquilo que passei como mulher, como mãe, como executiva, como empresária’’, explica.
O relato tem um objetivo - segundo sua autora ‘‘uma certa pretensão’’ - de ajudar as pessoas a enfrentar seus problemas. ‘‘Tem gente que, com muito menos, sofre muito mais. Não vêm que o mundo pode ser bom, e podem até entrar em depressão. Acho que tudo que vivi foi muito rico. Conto minha experiência, como saí dos momentos difíceis.’’
Maria Christina confessa que foi sempre um incômodo o estereótipo de empresária. ‘‘Empresário é aquele que sai do zero, que faz. Eu sou uma pessoa de fazer, de realizar, de fazer acontecer’’, analisa. Hoje, muito mais centrada em si, sem pesos nem cargas, sente que as pessoas a vêem como realmente é, não como uma imagem pública. ‘‘Tento desmistificar essa imagem’’, afirma. ‘‘O Bamerindus me vestia aos olhos dos outros. Sou uma Cristina que sobreviveu àquela roupa que se perdeu pelo caminho. É o que restou; e o que resta é o que você tem dentro de você.’’
Além de ‘‘Herança’’ a escritora ocupa-se no momento a escrever um livro técnico, abordando todos os lados do marketing cultural. ‘‘Vou abordar o lado da empresa, do produtor cultural, do artista, do intermediário ou daquele que vende um projeto.’’
Dona de um escritório que se dedica à criação de projetos especializados às empresas, ‘‘Andrade Vieira Arte, Cidadania’’, Maria Christina diz ver com bons olhos ‘‘a mudança de lugar nesse teatro da vida’’. Criadora do Natal do Palácio Avenida, cujas imagens em fotos e vídeos correram todo o mundo, ela conta que tem outros em mente. Muita gente a procura pedindo seus préstimos, mas o problema é que querem uma réplica do original. ‘‘Elas não percebem que aquilo foi um Natal naquele momento, naquela hora, naquele lugar e para aquela empresa’’, descarta.
Idéias afins é que não faltam, seja para Curitiba como São Paulo e Rio de Janeiro, ‘‘duas cidades meio doentes’’. Confidencia: ‘‘Tenho idéia de um outro Natal maravilhoso em Curitiba’’. Falta quem patrocine. ‘‘Esse ninguém sabe, mas garanto que é belíssimo.’’ Observa, porém, que ‘‘natais se fazem todos os dias. Pode-se fazer projetos na área cultural que são pequenos natais durante o ano. Bom é a gente colocar esse sonho na rua’’.
• Herança - livro de Maria Christina de Andrade Vieira. Lançamento sexta-feira, dia 6, às 19 horas, na Simões de Assis Galeria de Arte, Alameda D. Pedro II, 155, telefone (041) 232-2315.Mauro FrassonMaria Christina Andrade Vieira: ‘‘Meu livro é de experiências, recortes daquilo que passei como mulher, como mãe, como executiva, como empresária’’Zeca Corrêa Leite

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