Paulo WolfgangCynthia, Maíra e Carol: elas são as ‘‘Grogues, Cegas e Violentas’’, a primeira banda de rock formada só por garotas em LondrinaO célebre bordão punk ‘‘do it yourself (faça você mesmo)’’ caiu no colo das meninas.
Agora além de apenas circular pelos porões alternativos acompanhando os rapazes, elas começam a aparecer como protagonistas da cena. Em Londrina, como ocorre há tempos em Curitiba e outras capitais, algumas gurias já montam bandas de rock, trabalham com tatuagens e produzem seus próprios fanzines.
A invasão feminina deu o primeiro sinal de vida no início do ano quando Juliana de Carvalho Barbini começou a tatuar acabando com o domínio exclusivamente masculino na atividade. ‘‘A gente cansou de ficar só segurando jaquetas e mochilas dos camaradas durante os shows’’ - brincam as três integrantes da banda punk Grogues, Cegas e Violentas.
Também dando os primeiros passos musicais, a banda Surface é outra que traz três meninas na formação além de um rapaz na bateria. Por enquanto, só estão ensaiando. As Grogues, por sua vez, já fizeram quatro apresentações. É a primeira banda de rock da história da cidade formada só por mulheres.
Marcos BorgesBianca: cobrindo a cena alternativa da cidade
Punk Maíra (guitarra e voz), Carol (baixo e backing) e Cynthia (bateria e voz) idealizaram o grupo no final do ano passado quando estavam dentro de um ônibus que tinha como destino um show da banda inglesa Sex Pistols em São Paulo. Embora não tocassem nenhum acorde (Maíra é estudante de Direito e Carol e Cynthia são jornalistas), levaram o projeto adiante emprestando equipamento de som, guitarra, baixo, bateria e lugar para ensaiar.
Pouco tempo depois compraram os próprios instrumentos e começaram a receber convites para shows. ‘‘Os caras chamam a gente porque somos uma banda de meninas. Acho que rola um lance meio machista na parada, mas a gente não liga. Queremos tocar. E de preferência para ganhar cerveja’’ - dizem, rindo.
Mário CésarJuliana: primeira tatuadora de Londrina
Nos shows, o trio feminino ataca de punk rock safra-77 despachando músicas próprias e covers de bandas como The Clash, Undertones, Olho Seco e Replicantes. Compondo em inglês e português, elas abordam temas prosaicos nas letras na cola da geração punk que cultuam.
Show Carol afirma ser ‘‘descrente de tudo’’. ‘‘Não fazemos pregações do tipo ‘não mate os animais’. Acho hipócrita abraçar causas que não tenham relação direta comigo’’ - diz. O punk é uma referência tão forte na vida delas que ao se formarem em Jornalismo há três anos, Carol e Cynthia elegeram os fanzines ligados ao movimento como tema da monografia de conclusão de curso.
Agora as meninas estão batalhando um novo local para ensaios. Amanhã elas fazem mais um show, desta vez na sede da ULES onde dividirão o palco com mais nove bandas.

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