"As Fúrias" estréia dia 26 na mostra curitibana
São Paulo, 17 (AE) - Em 1966, Antônio Abujamra dirigiu em São Paulo uma montagem de "As Fúrias", com elenco integrado
entre outros, por Cleyde Yáconis, Ruth Escobar e Stênio Garcia. "Foi um dos espetáculos mais bonitos e marcantes a que já assisti", lembra o dramaturgo Oswaldo Mendes. "Foi um fracasso retumbante", diz Abu.
Não deixa de ser verdade. A temporada foi curta e o público reduzido, porém, quem viu não esquece. E quem não viu tem agora uma oportunidade. Uma nova montagem de "As Fúrias", do espanhol Rafael Alberti, interpretada pelos atores do grupo Os Privilegiados, dirigido por Abu, estréia no dia 26 no Festival de Curitiba e inicia temporada no Teatro Dulcina, no Rio, no dia 2.
A peça conta a história de Gorgo (Rose Abdallah), que mantém presa em uma torre a sua sobrinha Altéia (Liliana Castro)
jovem de rara beleza. A prisioneira recebe o apoio da criada ¶nimas (Paula Sandroni) e sonha com o momento em que será resgatada pelo amado Castor (Alan Castelo). Gorgo tem duas irmãs velhas, Aulaga (Denize SantAnna) e Uva (Guta Stresser), que vivem digladiando-se e recebem favores sexuais do mendigo Bion (Claudio Tizo).
"Rafael Alberti tem hoje 96 anos e, embora pouco conhecido no Brasil, é autor de uma obra de raríssima grandeza poética", afirma Abu. Segundo o diretor, entre os méritos do texto está o fato de ir ao fundo da crueldade humana. "Mais do que isso, ela ri da crueldade; não é uma peça, é um abismo", diz.
Citando Nietzsche, Abu espera ter asas para voar sobre o abismo e desvendar o sublime no terrível. Na época em que foi escrita, a peça era uma metáfora à Espanha do general Franco, mas para o diretor o texto não ficou datado e muito menos perdeu em contundência. "As Fúrias é uma peça política sobre uma personagem jovem, radiante de vida e impedida de amar", define. "É uma peça sobre a liberdade, essa palavra gasta". (B.N.)





