AS ERVAS DO SÍTIO
Reprodução


Rosane Barros
De Londrina


No sítio é quase sempre assim: muito antes das 6 da manhã o galo pigarreia uns acordes teimando em levantar o sol antes de qualquer criatura. Na deixa, a passarada afina o tom no campo, preparando a sinfonia das primeiras horas do dia. Dentro de casa, o calor se desprende da lenha cortada de véspera, estalando no fogão. Um forte aroma de café novo exala do velho coador de pano e o líquido escorre, viçoso, para dentro do bule. O cenário se completa com a mesa posta, pão sovado à mão, queijo, leite e manteiga frescos.
É neste clima de total ausência de modernidade, onde cada coisa e cada um tem seu tempo, espaço e valor bem definidos, que Rosy Bornhausen parece ter buscado inspiração para escrever As Ervas do Sítio (Ed. Bei Comunicação, 208 páginas, R$ 29,50). O livro, com ilustrações de Maria Eugênia, chega à sua 3ª edição como a síntese da sabedoria adquirida apenas pelos que escutam os clamores do corpo e da alma.
‘‘Uma vez ouvi de um padre santo que rezar é muito menos orar do que ouvir a Deus. É ficar absorvendo as energias do bem e do amor e assim chegar mais perto da verdade. E não será a verdade maior a volta a uma vida menos complicada?’’, ensina esta senhora, mãe, avó e dona de casa, que nos convida através de receitas e observações diárias do trabalho no sítio a prestar mais atenção na simplicidade, beleza e no poder das plantas.
Aprender a ser simples. É este o desafio proposto pela autora em sua obra ao ensinar a plantar, cuidar e usar inúmeras espécies de ervas - algumas desconhecidas da grande maioria das pessoas. Quem de nós arriscaria identificar um Aneto, um Borago ou um Cerefólio?
A autora resgata pequenos e antigos conhecimentos passados adiante por várias gerações e que resistem mesmo sob a ameaça da vida moderna. Quem nunca tomou um chá para abrandar uma gripe ou, ainda, em pleno supermercado, parou na gôndola dos temperos encantado com as cores e os aromas, que atire a primeira pedra.
Sem chamar para si conhecimentos científicos sobre o poder medicinal, cosmético e culinário das ervas, Rosy não descuida da temática. De uma breve apresentação etimológica passa sutilmente à história das plantas que remete a nossa própria existência. ‘‘Todos - plantas, homens e países - precisamos de raízes fortes’’, ela diz. Mística, Rosy não se privou de reservar algumas páginas ao mistério e à magia que tornaram as plantas o instrumento preferido das bruxas e feiticeiros para confeccionar amuletos, produzir curas, adivinhações e poderes sobrenaturais.
E antes de revelar os efeitos incomparáveis que as ervas produzem em nossas cozinhas, dedica dois capítulos à origem do uso das plantas na elaboração das essências, a base dos melhores perfumes, e na aromaterapia - talvez a mais delicada das terapias alternativas.
Percorrer o universo verde de Rosy Bornhausen é dar chance para uma vida melhor e mais saudável. Apreciar as ervas como quer a autora, é, como ela mesmo ensina, ‘‘uma volta natural às raízes e será lindo retornarmos, não numa nave cheia de luzes e botões mas tranquilamente, com um balde, um avental e uma pazinha’’.

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