O canto coral é uma das atividades artísticas mais antigas de que se tem conhecimento. Não é possível fixar a data de seu surgimento mas sabe-se que, entre os gregos, desde a mais alta Antiguidade, cantavam-se coros durante cerimônias religiosas. Os coros também foram utilizados como parte importante das tragédias gregas. Com o surgimento da Era Cristã, algumas orações passaram a ser cantadas em grupo pelos membros da Igreja. A partir daí, popularizou-se. Atualmente, o segundo domingo do mês de outubro é considerado o Dia Internacional do Canto Coral, que vem sendo comemorado há sete anos.
O canto coral vive hoje uma situação privilegiada. É uma das manifestações artísticas que mais vêm crescendo no Brasil devido, sobretudo, ao apoio dado pela iniciativa privada. As empresas estão estimulando a formação de grupos de cantores como uma forma de integração entre seus funcionários e como ferramenta de marketing cultural. Londrina não fica atrás nesta experiência. Nos últimos anos, várias empresas e instituições com sede na cidade formaram seu grupo vocal. Estas e outras iniciativas na área - como festivais - proporcionaram a Londrina o título de Capital do Canto Coral e garantiram a ela a sede da Confederação Brasileira de Coros.
Paulo WolfgangCoral da Unimed: ‘‘Um dos projetos mais bem-sucedidos da Associação de Funcionários’’Segundo o maestro José Mário Tomal, regente de vários corais londrinenses, a formação de grupos vocais assistidos por empresas tem crescido de forma impressionante nos últimos anos. ‘‘Hoje, a cada festival de canto coral, cerca de 50% dos grupos participantes são de empresas. O Paraná está descobrindo o poder da música para a melhoria de vida de seus funcionários apenas agora, quando esta é uma tendência que vem se espalhando pelo Brasil desde a década de 80. O Coral da Lorenzetti, por exemplo, é famosíssimo e existe há muito tempo’’ - diz.
Para Tomal, a formação de corais dentro da empresa é uma forma de promover uma maior união entre os funcionários e aliviar o estresse do trabalho. ‘‘O investimento financeiro é pequeno se comparado com o retorno que há. Além disto, só o fato de levar o nome da empresa através de uma atividade cultural já garante simpatia do público’’ - diz.
Segundo a relações-públicas Leonice Camarani El Kadre, integrante e coordenadora do Coral da Sercomtel, as empresas, além da responsabilidade profissional de oferecer produtos e serviços de qualidade, devem também retibuir à comunidade que as fez crescer. ‘‘Oferecer oportunidade de desenvolvimento cultural é uma das formas mais simpáticas, na minha opinião, de retribuição. No caso do coral, o canto é muito gratificante para o indivíduo e muito valioso para a comunidade’’ - diz.
Arquivo FolhaMaestro José Mário Tomal: ‘‘O Paraná está descobrindo o poder da música para a melhoria de vida de seus funcionários’’Segundo Leonice, o retorno do investimento é quase que imediato. ‘‘Num primeiro momento, garantimos funcionários mais felizes e realizados. No caso do marketing cultural, quando nos apresentamos como o Coral da Sercomtel, o público passa a ver a empresa não só como fornecedora de produtos e serviços mas também como investidora cultural’’ - afirma.
A humanização e a integração entre os funcionários também foram os objetivos da formação do Coral da Unimed, há dois anos. Segundo a relações-públicas e coordenadora do Departamento de Comunicação e Marketing da empresa, Thaís Soares, a idéia surgiu a partir de um programa de qualidade de vida que a empresa vem buscando. ‘‘No início, a idéia era abrir para cooperados, médicos e funcionários, mas acabou se consolidando apenas entre os funcionários. Hoje, o coral é um dos projetos mais bem-sucedidos da nossa Associação de Funcionários’’ - conta. Para Thaís, além dos benefícios que os integrantes garantem para si, o retorno para a empresa também é alto. ‘‘Agrega valor ao nome da empresa’’ - explica.
O Coral do Banestado, que estreou em agosto deste ano, foi formado por iniciativa da Associação Cultural do banco, nos mesmos moldes do que é mantido em Curitiba. Segundo a coordenadora do coral, Maria Inês Tonon, a idéia faz parte de um projeto de busca de alternativas para liberar o estresse. ‘‘Depois de passar por um dia inteiro no serviço estafante de um banco, o pessoal sente o maior prazer em cantar. Eles encaram isto como terapia mesmo. Além disto, há todo um processo de aprofundamento cultural que vale a pena’’ - diz.

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