Jaqueline Conte/DivulgaçãoTony Bennett fotografou as Cataratas do Iguaçu, que pretende pintar em aquarelaOlhos atentos, sorriso aberto e uma simplicidade que surpreende. Não fosse a força da voz e a sinceridade com que interpreta as mais belas obras da música popular norte-americana, Tony Bennett, 70 anos, passaria despercebido. A discrição e a receptividade o colocam longe do estereótipo próprio das grandes estrelas.
Foi com essa simplicidade que o intérprete favorito de Frank Sinatra, Bing Crosby e Duke Ellington subiu ao palco no último sábado, para seu primeiro show no Paraná. Em Foz do Iguaçu, Tony Bennett fez uma apresentação fechada para cerca de 500 convidados do Casino Iguazú. Interpretando músicas de seu último álbum ‘‘Tony Bennett on Holiday: um Tributo a Billie Holiday’’ e canções de Fred Astaire e Duke Ellington, o cantor dividiu a cena com o trio de Ralph Sharon. A voz e a interpretação de Bennett, aliadas à competência de Sharon, Douglas Richeson e Clayton Cameron, fizeram do show uma oportunidade rara de se conhecer um pouco domelhor jazz e blues norte-americanos.
Turismo Depois de quatro shows em três dias e uma média de três horas de sono por noite, Mr. Bennett não cedeu ao cansaço. Às 8h do domingo já estava em pé. Duas câmeras fotográficas na mão - incluindo uma digital - e a vontade de conhecer as Cataratas. Ele e o baterista Clayton Cameron ficaram surpresos com a beleza do local. O dia não ajudava muito: caía uma chuvinha fina e intermitente. Não havia sol nem mesmo para formar um tímido arco-íris. Mesmo assim, o cantor tirou centenas de fotos.
O objetivo das imagens não se restringia ao simples registro da visita. Bennett enquadrou cenas do local para pintá-las depois. O cantor é considerado por parte da crítica como o melhor aquarelista americano e está entre os 20 melhores na pintura a óleo. No mês passado, ele lançou ‘‘What my Heart has Seeing’’. O livro conta episódios de sua vida, traz fotos de quando Bennett serviu na divisão de tanques, durante a Segunda Guerra Mundial, e apresenta algumas de suas pinturas. Entre elas, estão seis sobre o Brasil: quatro do Rio de Janeiro e duas de Salvador. A obra já ocupa o 4º lugar em número de vendas de livros de arte em Nova York e o 5º lugar em Chicago.
Promessa Tudo indica que as fotos de Bennett também terão um outro propósito. Após o show de sábado, o cantor conversou com o prefeito de Foz, Hary Daijó e lhe prometeu que pintaria uma aquarela das Cataratas, para ser leiloada em benefício da cidade. Material em que se basear, com certeza, não faltará.
Depois da turnê relâmpago, Tony Bennett voltou a Nova York. O próximo show, ainda este mês, será nos Estados Unidos. A apresentação para os ex-presidentes norte-americanos terá renda revertida para crianças carentes. Aliás, crianças também são o objetivo de seu próximo trabalho. Em outubro, Bennett começa a gravar um álbum com músicas infantis. Nesse trabalho, além da participação do trio de Sharon, ele deve contar com James Moody, seu saxofonista preferido. Para 1999, o plano é um tributo ao inesquecível Duke Ellington, em comemoração ao centenário do maestro e pianista americano.

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