O artista plástico Fernando Augusto, de Londrina, abre hoje em São Paulo uma exposição que integra sua tese de doutorado na Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP). Os trabalhos da mostra ‘‘Do Desenho à Escultura – Do Desenho à Fotografia’’ poderão ser vistos até 6 de junho, no Espaço Cultural da Biblioteca da PUC.
‘‘Do Desenho à Escultura’’ dá título ao projeto que objetiva analisar dois trabalhos de Amílcar de Castro e criar obras plásticas em diálogo com esse artista brasileiro. O objetivo, segundo Fernando Augusto, é aliar história e teoria da arte e desenvolver uma pesquisa plástica.
Na primeira parte de seus estudos, Fernando Augusto analisou o desenho e a escultura de Amílcar de Castro e os principais conceitos da arte concreta e do Projeto Concreto e Neoconcreto Brasileiro. A tentativa do artista foi ver, comparativamente, os elementos fundantes do desenho e da escultura de Castro, a relação entre uma área e outra e encontrar elementos para os trabalhos plásticos.
Na segunda parte, intitulada ‘‘Do Desenho à Fotografia’’, Fernando Augusto apresentou as séries ‘‘Aparelhos’’ (desenhos que são metáforas de cortes do corpo), ‘‘A Forma Quase Perfeita’’ (metáfora da organização do tempo e do espaço) e ‘‘Fotografias’’ (desenhos feitos com aparelhos fotográficos).
Na série ‘‘Aparelhos’’, o artista assume o caráter precário do desenho como investigação do corpo através de formas pontiagudas e da transparência das folhas de papel. Já a série ‘‘A Forma Quase Perfeita’’ traz a construção de pinturas na forma de um grande círculo preto, que se repete em todas as telas ‘‘flutuando entre a precisão geométrica e a imprecisão da tinta aguada’’.
Em ‘‘Fotografias’’, o trabalho não é exatamente de um fotógrafo, como assume Fernando Augusto, mas de um artista que manipula os processos plásticos e o registro fotográfico. As fotos foram concebidas na interseção entre diversas modalidades artísticas, como desenho, pintura e cinema.
Com este projeto, Fernando Augusto quis discutir a questão da precisão e imprecisão na arte, criando obras pautadas pelo alto teor de organização, mas sem a rigidez das coisas muito precisas. Dessa forma, procurou ‘‘analisar o trabalho artístico na interseção entre razão e emoção, a fim de estabelecer uma poética da flexibilidade’’. Para criar as obras, Fernando Augusto utilizou diversas técnicas, como mista sobre tela, mista sobre papel transparente, acrílica sobre tela e fotografia.
Parte da tese de Fernando Augusto – que será defendida hoje, em São Paulo – foi desenvolvida na Université Paris I – Pantheón Universidade Sorbonne URF Arts. Para o estágio na França, o artista apresentou as três séries que formam as criações artísticas do seu estudo.
•‘‘Do Desenho à Escultura – Do Desenho à Fotografia’’ – exposição do artista plástico Fernando Augusto, de Londrina. Abertura: hoje, às 18h30, no Espaço Cultural da Biblioteca da PUC (Rua Monte Alegre, 984 – Perdizes), em São Paulo. Prossegue até 6 de junho.

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