Los Andes - O Chile, com uma largura máxima inferior à distância entre São Paulo e Rio, mas com comprimento igual ao do Brasil, exibe paisagens que variam do Deserto do Atacama, no norte, às geleiras rodeadas de florestas, no extremo sul. Portillo fica na região central, relativamente árida. Portanto, suas montanhas não são verdes e sim cinzentas. Mas a neve dá à região um toque poético, que ajuda a atrair visitantes do Brasil, dos Estados Unidos e da Europa. As pistas de esqui dessa área estão entre as melhores do mundo, segundo experientes esportistas que no inverno do Hemisfério Norte curtem as americanas Vail, Aspen e Park City e as européias Chamonix, Saint Moritz, Gstaad, Cortina d'Ampezzo, Innsbruck e Andorra.
Quando o verão invade a Europa e o frio domina o sul da América, a argentina Bariloche reforça o apelo turístico do Cerro Catedral, mas o Chile tem conquistado adesões, beneficiado por investimentos estrangeiros na infra-estrutura de Portillo e dos demais centros de esqui: Valle Nevado, perto de Santiago; Chillán e Pucón, mais distantes, no sul do país, entre outros menos conhecidos.
No fim do século 19, os operários que construíram a Ferrovia Transandina, entre a Argentina e o Chile, descobriram a tendência de Portillo para o turismo. Nas horas vagas, engenheiros americanos improvisavam pistas de esqui na região. O trem, que circulou até os anos 80, ajudou o lugar a ficar mais conhecido. Com a desativação da ferrovia, a rodovia foi modernizada. Por lá passam caminhões do Brasil, a caminho de Santiago e do porto de Valparaíso. O Túnel de Caracoles marca a fronteira, nos Andes.
O americano Henry Purcell dinamizou o Hotel Portillo, hoje em dia mantido por seu filho Miguel Purcell. O espanhol Jesus Puente, da Catalunha, diretor da Escola de Esqui de Portillo, explica que há 31 instrutores à disposição dos hóspedes. ''Não importa que a pessoa jamais tenha esquiado. Aqui, todos têm uma chance de conhecer as maravilhas do esqui e do snowboard'', conta Puente, ressaltando que a escolinha é internacional: ''Temos instrutores do Chile, Estados Unidos, Suécia, Canadá, Áustria, Espanha, Eslováquia, Suíça, Eslovênia e Argentina. Eles têm paciência com as crianças, que logo se sentem seguras para se arriscar nas primeiras e mais fáceis descidas da montanha.''
Um moderno teleférico leva esquiadores ao ponto mais alto de Portillo, Plateau, a 3.150 metros, onde fica o restaurante Tio Bob's, opção para o almoço. Os praticantes de esqui vão descendo sobre a neve e logo retornam para nova aventura numa das pistas.
Nos intervalos, o restaurante principal do hotel fica movimentado, mas sem sobrecarga: almoço e jantar são servidos em dois turnos. O chefe da cozinha, Rafael Figueres, da cidade chilena de Catapilco, perto de La Serena, fez cursos de gastronomia em São Paulo e em outras grandes cidades sul-americanas. Desde 1986, ele mora o tempo todo em Portillo. ''Oferecemos uma grande variedade de pratos para os hóspedes. Os brasileiros adoram nossos peixes e frutos do mar'', explica. Há 36 garçons, que, ao contrário de Figueres, mudam de emprego e de cidade ao terminar a temporada de inverno nos Andes: descem para a beira do Oceano Pacífico e trabalham em restaurantes e hotéis de ViÀa del Mar e Valparaíso durante o verão.
Assim como os centros de esqui dos Estados Unidos e da Europa, Portillo perde grande parte de seu brilho na época do calor. A neve desaparece, o hotel fica fechado. Mas tudo começa a ser preparado novamente para outra temporada. Turistas do mundo inteiro se reencontram a cada inverno em Portillo, onde os idiomas básicos são espanhol, inglês e português.

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