‘‘Publicidade é publicidade, trabalho artístico é trabalho artístico. Não gosto de misturar as coisas’’. A fotógrafa Carime Xavier trabalha nos dois ramos, mas sabe delimitar os terrenos de cada trabalho. A artista, e não a publicitária, está em 12 páginas da conceituada revista Paparazzi (número 8, nas bancas). Suas fotos colorem a edição.
Fotógrafa há seis anos, e há menos de dois anos trabalhando para publicidade, Carime não esperava ver tão cedo seus registros numa publicação como a Paparazzi. O editor Carlo Cirenza procurou-a depois que visitou a sessão de fotonovelas da Bienal de Fotografia, instalada no Solar do Barão, em Curitiba. Chamou-lhe a atenção ‘‘A Garota da Capa’’, de autoria da fotógrafa.
O editor não estava preparado para o que viria depois. Cópias e mais cópias de fotomontagens num processo inteiramente novo, produto de longas e constantes pesquisas, que Carime faz questão de manter em segredo. As fotografias explodem em cores, dando a impressão do uso de computadores.
Não tem material sofisticado nesta história. A base são as luzes, explica, sem dar maiores detalhes. É uma técnica muito próxima da ‘‘light painting’’ (pintando com luz), muito conhecida dos fotógrafos. ‘‘Digamos que seja um primo irmão do ‘light painting’’’, comenta.
É tão diferente o que ela faz que acaba por ouvir dos incautos sempre a mesma coisa: ‘‘Como você faz?’’. Ora, até poderia ser a segunda pergunta, menos a primeira. ‘‘Isso dói’’, confessa a artista. Antes de vasculhar a feitura da foto, bem que poderiam antes deter-se na obra, independente de gostar ou não.
Se atentassem às imagens veriam ali motivos recolhidos de velhas revistas, com aquele jeito indefectível de anos 50. Carime, sempre que pode, vasculha os sebos da cidade à procura de revistas ‘‘Grande Hotel’’. Sua preferida. Usando esse material, devidamente recortado, ela monta os cenários que serão fotografados e receberão cores e luzes. O resultado é um universo diferente, único, suspenso num tempo que fica entre o passado e o presente.
Luzes e sons ‘‘Isto não saiu do nada’’, diz, apontando para as fotos espalhadas na mesa, explodindo em temas e cores. Há todo um estudo por detrás de cada trabalho, e com ele a longa pesquisa que levou a esta solução. ‘‘Eu queria alguma coisa diferente. Canalizei muita energia, fosfato, tutano para chegar onde cheguei’’.
Tendo o material em mãos, o procedimento seguinte é colocar um disco de música antiga para ouvir. É sua fonte de inspiração. Desse casamento de sons e luzes saem as imagens pop, alguma coisa que passa pelo reino de Andy Warhol, aliás seu pintor preferido. Na fotografia não tem ninguém que vire sua cabeça.
‘‘Gosto das cores, da modernidade. Tento trazer isso para minhas fotos’’, explica Carime. Ainda sem data definida, sabe-se apenas que em 1997, terá a exposição ‘‘Samantha e Schmidt’’. Será uma fotonovela bem ao gosto da autora, que está às voltas com um ‘‘storyboard’’ (planilha em desenho das cenas), para facilitar seu trabalho na hora de fotografar.

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