As cores em bom-tom
Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Dezeseis painéis quadrados de 1m x 1m compõem a exposição da artista plástica autodidata Zilda Vilela Barros. A mostra abre hoje, às 10 horas, na Galeria Mueller, no piso G1 do Shopping Mueller.
Mais do que abstratas são composições modernas, define a pintora. Sem influências, a obra de Vilela Barros (como assina os quadros, sem o primeiro nome) surge de idéias próprias. É uma pintura minha. Não gosto de nada acadêmico, com cópias. Me preocupo com a harmonia das cores, de forma a não comprometer qualquer decoração. Minhas telas são apenas bonitas de se ver, sem ter a preocupação de remeter a alguma coisa.
Espátulas e pincéis com tinta óleo, colagem com tecidos são os materiais e equipamentos para essa combinação de cores que fazem do trabalho de Zilda, um conjunto singular. Sem contrastes violentos mas com cores fortes, os quadros têm personalidade. Um só basta numa parede.
Meus quadros são decorativos. Quase não são abstratos, reconheço muito mais um modernismo. Na verdade nunca gostei de coisas certinhas, prefiro deixar a imaginação livre, afirma. Zilda trabalha com tinta a óleo por conseguir melhor misturar as cores. O acrílico seca muito rápido e não me dou bem com as combinações. Já com óleo consigo as composições que me agradam mais. Pinto com a tinta no molhado, com as cores ainda vivas.
Entre suas telas, Zilda tem um quadro onde bateu na tela com a mão vermelha e deixou escorrer. Esse painel é o único na linha mais abstrata, que dá o que pensar. A tinta vermelha tem alguma coisa de desgosto, é uma forma de agitar. de dizer que não concordo com o mundo de crianças com fome, de guerras, de corrupção na vida pública, rebela-se.
Outro painel, em vários tons de azul, tem faixas como se fossem dobraduras. Um terceiro, traz o fundo preto com estrelas e luas em branco. Há ainda, trabalhos em bege, com amarelos, verdes e marrons, alguns com massa, mas a maioria espatulados.
Zilda Vilela Barros nasceu em Jacarezinho, norte do Paraná. Sempre interessou-se por pintura, desde a época do semi-internato no Colégio Imaculada Conceição, onde as freiras davam aulas de pintura. Mas era tudo muito acadêmico. De qualquer forma serviu para despertar o meu dom, reconhece. Mas o casamento muito cedo, filhos e netos interromperam a carreira artística de Zilda. Fiz cursos livres e expus apenas algumas vezes, em coletivas. Agora, que todos cresceram, resolvi me dedicar, deixar o dom de pintar falar mais alto.
Exposição de pinturas de Zilda Vilela Barros. Abertura, hoje, às 10h, na Galeria Mueller, no pido G1, do Shopping Mueller. A exposição fica aberta até o dia 14 de fevereiro, de segunda a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 11h às 21h.Painéis quadrados em cores fortes marcam a primeira exposição individual de artista plástica Vilela Barros. Abertura acontece hoje, em Curitiba
José SuassunaVilela Barros: Nunca gostei de coisas certinhas; prefiro deixar a imaginação livreReprodução/José SuassunaTrês obras que compõem a exposição: modernos e decorativos, acima de tudo





