Quem disse que Lexotan é o único alívio para o desespero? A fotógrafa Vilma Slomp passou por um difícil momento em sua vida no final dos anos 80 e início dos 90 - ‘‘tinha a impressão que não haveria saída para mim’’ -, enfrentou a barra e quando finalmente a tempestade amenizou, não foram ruínas que ficaram pelo caminho. Pelo contrário: uma porção de fotos coloridas, mais tarde levadas a uma exposição.
Vilma SlompHallucinatioEssas fotos e outras produzidas anos depois em preto-e-branco, agora retratando seu momento de serenidade, dividem em duas partes a exposição ‘‘Dor’’, em cartaz no Solar do Rosário, em Curitiba, e um livro com o mesmo nome, que em breve chegará às livrarias de todo o País.
‘‘Confesso que o processo foi bom para mim. Na verdade a gente tem medo de sofrer, tem medo de doença, de morte; diz que jamais engolirá sapo. Mas acaba passando por mudanças em outras épocas da vida. É interessante isso; todo sofrimento traz também um lado bom, e é melhor ainda quando conseguimos superá-lo’’, raciocina a fotógrafa.
Vilma SlompNegatioQuando o chão começou a ruir e o oxigênio a faltar, Vilma juntou máquinas, lentes e luzes e passou a fotografar no estúdio, atividade até então inusitada para ela. Seu campo de atuação era outro. ‘‘Não entrei no estúdio pensando que ali iria descarregar todo peso. Foi inconsciente.’’ Consciente mesmo eram os textos que ela produziu, as poesias que ganharam páginas e páginas. ‘‘Há mil dias sofro/não sei se aqui dentro há uma alma/ou um caroço’’, diz um trecho do único poema constante do livro.
Vilma SlompFrustrariNo mais a alma oprimida foi representada com flores, insetos, espinhos em ambientes assépticos, ramalhetes de rosas secas, copos-de-leite feridos na tortura dos arames. Na luminosidade do preto-e-branco, a vida mostra seu outro lado através da fragilidade e da beleza das flores, ainda que muitas vezes arrancadas de suas hastes, à espera do fenecimento. São os trabalhos do livro e da exposição.
Vilma SlompHemicraniumAlma renovada e fortalecida, nestes tempos de agora, Vilma Slomp assina as 33 fotografias que permanecem na galeria até o dia 27. Interessados em adquirir alguma das obras terão de encomendá-las - os preços variam de R$ 2 mil a R$ 2.700,00.
Vilma SlompFallopium Flowers• Dor - exposição de fotografias de Vilma Slomp, no Solar do Rosário. Até dia 27 de agosto, com visitação pública de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 19 horas; sábados e domingos das 10 às 13 horas. A galeria fica na Rua Duque de Caxias, 4, telefone (041) 225-6232.

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