As Cinzas do Sonho Americano
Vencedor do Oscar de melhor fotografia e premiado com o Palma de Ouro no Festival de Cannes, Cinzas no Paraíso será exibido hoje no TC1, às 14 horas. O filme de Terence Malick traz no elenco Richard Gere e Brooke Adams. Planícies brancas de neve brilhando na luz azul do luar de inverno, trigais refletindo o sol de outono queimado, céus enormes atapetados com montes de nuvens, são algumas das sequências que renderam o Oscar.
Ambientado no Texas, antes da I Guerra Mundial, Cinzas no Paraíso trata de um trabalhador, Bill (Richard Gere), que viaja de Chicago com sua amante Abby ( Brooke Addams) e a irmã caçula Linda (Linda Manz), para trabalhar na colheita de um aristocrático fazendeiro, incorporado pelo dramaturgo e roteirista Sam Shepard.
Cansado de andar por aí feito porco e enfurecido pela riqueza de seu patrão, Bill decide usar a atraente Abby para envolver o fazendeiro e tirar proveito de sua fortuna. O que ele não esperava era que Abby se apaixonasse por sua caça.
Com esta trama, Malick tenta mostrar que essas pessoas são vítimas de sua inocente fé no deformado sonho americano. Sua tragédia é a de se culpar a si próprios, e não os falsos ideais, pela miséria de suas vidas. Apesar de nenhum personagem poder encontrar felicidade e justiça, no final Deus dará a sentença final, quanto aos seus destinos.
O clímax da trama é a praga de gafanhotos. A América é o grande personagem do filme; a América de 1916, quando estava prestes a perder a sua inocência de desordeiro, entrando na I Guerra Mundial. A história é contada através dos olhos e da voz da menina Linda, que lembra aqueles dias no paraíso, nos quais ela se criou enquanto as pessoas que ela amou e o país no qual tentavam sobreviver eram tragados por uma implacável fatalidade.
Céu Azul Carly Marshall, uma dona de casa psicótico-maníaco-depressiva, vive com o marido Hank Marshall (Tommy Lee Jones) e duas filhas adolescentes, em uma base militar, no início da década de 60. Dotada de muita sensualidade e com uma enorme necessidade de se fazer notar em todos os ambientes por onde circula, Carly inferniza a vida da família e desperta a hostilidade das vizinhas. Para a atriz Jessica Lange, Carly reservou o Oscar, em Céu Azul, que a HBO exibe hoje às 22h30.
O drama da família Marshalll se passa em meio a uma série de testes nucleares realizados na base militar do Alabama, onde vivem. Os testes atômicos apresentam-se em Céu Azul, como um subtema. O assunto principal do filme é o núcleo familiar.
Carly é uma mulher esplendorosa que nunca conseguiu relacionar-se de fato com as pessoas com à sua volta e nem pertencer fisicamente ao local onde vive. A sensualidade e o comportamento de Carly, faz com que suas vizinhas a vejam como uma ameaça constante; como um perigo, uma tentação que pode desviar seus maridos do bom caminho. Em uma das cenas, uma vizinha aconselha as outras: Tranquem seus maridos.
Capaz de recepcionar os colegas do marido com um animado show de dança e cair nos primeiros braços musculosos que aparecerem, Carly é uma espécie de precursora da revolução sexual que aconteceria no final daquela década.
Hank Marshall é um cientista do exército, com pitadas de maucaratismo profissional. Ele é escalado para um projeto de testes nucleares ultra-secretos. O personagem de Tommy Lee Jones vive entre a paranóia do segredo militar, a psicose da esposa e as crises das duas filhas adolescentes.
A personagem depressiva, Carly, vem ao encalço de outra personagem de Jessica Lange no mesmo estilo, Frances, de 1988. A crítica costuma dizer que a atriz tem facilidade para interpretar belas atormentadas.





