As cartas de um libertino
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de abril de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Um libertino que escreveu também com a delicadeza de um anjo. Mas é bom saber: todo anjo pode se tornar terrível. No caso do Marquês de Sade (1740-1814), uma virulência por viver em um corpo contrariado ao limite em suas tendências e vontades.
Tatuado historicamente como o maior pornógrafo do mundo, Donatien Alphonse François emprestou o nome para uma patologia sexual. Não é apenas na alcova que o francês surpreendeu. O valor literário, poético e a radicalidade do pensamento dele ainda seduzem.
No Brasil, a obra filosófica de Sade ainda é desconhecida. A Editora da Universidade Estadual de Londrina (Eduel) está lançando a tradução ''Cartas de Vincennes: Um Libertino na Prisão - Marquês de Sade'', de Gabriel Giannattasio. As cartas foram escritas por Sade quando ele estava na prisão de Vincennes, durante a primeira de muitas condenações. Ele tinha 23 anos de idade e havia sido acusado de práticas libertinas e atos de blasfêmia.
As ideias do marquês eram testadas no próprio corpo e mesmo preso, ele continuou absolutamente livre. ''Uma transgressão de pensamento que desconcerta seus destinatários, a ponto de um deles - Marie-Dorothée de Rousset - se desculpar por não poder repetir o que lê'', diz um dos trechos do livro.
Professor da UEL na área de Teoria da História, Giannattasio é autor de outros três livros. Na nova publicação, consegue oferecer uma leitura prazerosa e interessante para os que querem ir além de uma exumação da alma do marquês que viveu na França do final do século XVIII até as primeiras décadas do XIX.


