'As capas de discos estão tão ruins quanto a música atual'
Pixinguinha, Chico Buarque de Holanda, Elis Regina, Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa. Estes foram somente alguns dos artistas populares brasileiros retratados por Elifas Andreato entre as décadas de 70 e 80 para algumas das mais importantes capas de discos de MPB. Eram outros tempos, em que o disco era LP (long play) e as capas bem maiores e mais propícias a aceitar arte.
Hoje, ele praticamente se recusa a trabalhar com músicos e por várias razões, uma delas é o tamanho das capas de CD. ''Os valores pagos também diminuiram proporcionalmente. Além disso, os computadores transformaram qualquer um em artista gráfico e os trabalhos ficaram tão ruins quanto a música atual'', afirma. Apesar disso, ele diz que continua trabalhando para ''velhos amigos'' e mesmo se oferece para quem nem conhece tanto. ''Faria qualquer coisa que o Chico César me pedisse.''
Andreato tem uma posição crítica feroz com relação às artes em geral, inclusive a dele. ''Vão dizer que sou saudosista, rancoroso, mas minha geração fez jornalismo melhor, teatro melhor, música melhor e arte de melhor qualidade.'' Afirma que não gosta de tudo o que fez e chega a ter vergonha de alguns trabalhos. ''Tem vezes que todo mundo acha ótimo um trabalho e você sabe que não está. Todo desenho ruim publicado, a gente não se livra dele nunca'', revela.
Ele lembra uma história sobre um disco em homenagem a Adoniran Barbosa, em que tinha feito o músico com cara de palhaço e o Fernando Faro, organizador, perguntou se ele acreditava que o Adoniran iria entender aquele retrato. ''Fui rapidamente para casa e fiz um desenho tradicional, com o Adoniran de colarinho, chapéu. Depois de algum tempo, o Adoniran me telefonou e falou: ''Eu sou aquele palhaço triste e não esse alemão que você colocou no disco', fiquei um mês com vergonha, mas aprendi a lição que não se deve subestimar o artista.'' Mais tarde, passou algo parecido com um disco de Clementina de Jesus, mas então não mudou de opinião e retratou a marca de um pé no barro do chão. ''Ela entendeu perfeitamente e depois, afirmou que a maior homenagem que ela receberia na vida dela seria se eu marcasse o pé dela no barro.''(L.C.O.)





