As bruxas também riem
As bruxas também riem
Marcos Losnak
Especial para a Folha2
DivulgaçãoCena de As Bruxas: espetáculo incorpora tragédias do cotidiano brasileiroTotalmente merecida a volta da companhia paulista Irmãs do Tempo para a segunda etapa do Festival Internacional de Londrina. As Bruxas, espetáculo apresentado ontem e anteontem, revela-se um trabalho lapidado com as principais ferramentas que a arte teatral pode oferecer.
Embora inspirado no texto Macbeth de William Shakespeare, As Bruxas assume uma identidade própria, extrapolando a trama do dramaturgo inglês. Oferecendo a história de Macbeth na visão de duas bruxas (personagens do texto original), o espetáculo extrapola os limites do tempo e incorpora, não de maneira explícita, tragédias do cotidiano brasileiro.
Se cada personagem da história tivesse a oportunidade de contar sua visão dos fatos, a trama daria origem a dezenas de outras histórias, um quebra-cabeças de personalidades. A versão das bruxas (mágicas ou malucas) provoca alguns irônicos atrapalhos na lendária dramaturgia shakespeareana.
O espetáculo faz uso equilibrado de situações dramáticas e cômicas. Não há espaço para excessos. Faz uso do humor não como o recurso mais fácil para reduzir a distância em relação ao espectador, mas como uma espécie de auto-ironia do próprio personagem.
A história vivida pelas bruxas utiliza um recurso peculiar ao teatro: o recurso do ator vestir a pele do narrador e do narrado. Um mesmo ator desempenhando, em pequenos espaços de tempo, o papel de diferentes personagem sem confundir os papéis.
O ponto alto de As Bruxas está no trabalho de interpretação das atrizes Neca Zarvos e Raquel Ornellas. Com um trabalho maduro e tecnicamente exato, desempenham seus papéis com tamanha desenvoltura a ponto de sugerir o desaparecimento do ator em nome da glorificação do personagem.





