DivulgaçãoO norte-americano Charles Andrews, top das campanhas de Gianni Versace, em desfile para a Vide BulaO mundinho da moda viveu o seu ápice na última semana. Reunindo as mais importantes grifes brasileiras, a terceira edição do MorumbiFashion contou com a participação de 700 jornalistas, inclusive estrangeiros, o que prova a amplitude adquirida pelo evento. Durante sete dias, 23 grifes mostraram os hits da próxima temporada, uma maratona fashion que exige disposição para enfrentar os constantes atrasos dos desfiles, e boa memória para não esquecer nenhum detalhe.

DivulgaçãoLook da Viva Vida: top de lurex e
saia com bordado inspirado nas antigas lacas chinesasAfinal, cada look apontava uma tendência e antecipava uma nova mania de verão: barra assimétrica, drapeados, decote tomara-que-caia, scarpin, saias com fendas na frente, crochê, lurex e tecidos telados são alguns itens obrigatórios para o guarda-roupa da próxima estação. O sportwear também vem forte: tênis, usados com produções mais elaboradas, e leggings apareceram em várias coleções. Confira o que em breve estará nas vitrines de todo o País.

DivulgaçãoA opinião dos experts
‘‘Uma das coisas mais legais é a imagem da Marina Dias. Acho que ela tem que ser entendida como uma nova expressão de modelo, uma nova maneira de se posicionar na passarela, não só pelas tatuagens, mas para mostrar para o universo da moda que existem outras maneiras de ser e de viver. E que a juventude dos anos 90 é mais diferenciada do que essa imagem de menina loura e certinha. Outra coisa que eu acho legal é o trabalho do Lino Villaventura, que é muito bacana em termos de criação e desenvolvimento; ele resgata o universo pessoal e trabalha isso na passarela de maneira muito forte, muito intensa. Gosto do Reinaldo Lourenço, que trabalha um pouco mais com tendências internacionais, mas dentro de suas interpretações pessoais faz uma moda urbana e usável. Não gostei da G, a Glória não fez uma boa coleção, acho que as referências históricas pesaram um pouco, poderiam ter vindo mais suaves. Também não gostei do Fause, acho que ele pode usar a mesma inspiração para fazer moda, não só fachada’’. (Érika Palomino, colunista da Folha de S. Paulo)‘‘O ponto alto das coleções foi a grande variedade de tecidos. A importação propiciou essa novidade. De resto, não teve muita novidade. Foi uma saia mais curta aqui, um sapato de salto bem alto e pontudo ali, uma calça um pouco mais larga, e transparências mais delicadamente usáveis, ao contrário das mostradas no inverno, que eram mais explícitas. Teve ainda algumas novas cores e a volta do preto. Acho que os estilistas que se destacaram por fazer coisas criativas e mais pesquisadas foram três: Lino Villaventura, Reinaldo Lourenço e Renato Loureiro’’. (Glória Kalil, jornalista, escritora e consultora de moda)‘‘Na maioria das vezes, o legal foi a interpretação brasileira. Na primeira edição do MorumbiFashion, a gente via 20 vestidos iguais, todos copiados do mesmo lugar. Nesta temporada, está muito mais difícil encontrar cópias, isso é uma demonstração de maturidade e independência. Mesmo que as tendências sejam internacionais, já houve uma interpretação absolutamente brasileira. O importante também é que desta vez eles não queimaram tanto as tendências da próxima estação européia e americana, ou seja, eles evitaram alfaiataria porque o nosso verão é verão mesmo, então é tudo baseado numa roupa descontraída, mais casual, mais sportwear. Acho que é preciso separar roupa, estilismo, show, espetáculo e momento. A teatralidade na passarela é ruim e inútil algumas vezes. Eu gostei muito dos três únicos estilistas verdadeiros, que são Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Glória Coelho. Adorei a Patachou como moda básica’’. (Constanza Pascolato, empresária e consultora de moda)‘‘O desfile que mais me emocionou foi o do Lino Villaventura, porque ele tem um trabalho original. Além de mostrar uma roupa interessante, ele conseguiu fazer uma apresentação também muito interessante: cabeças maravilhosas, lentes de contato brancas, um show. Na moda jovem, a Zapping foi uma delícia, é um laboratório, cada roupa é uma idéia, e todas as idéias eram boas. Gostei muito do desfile do Reinaldo Lourenço, os materiais são interessantes, e também do Herchcovitch, que continuou o trabalho que ele tinha apresentado no inverno. Todo mundo acha a moda dele feia, eu acho diferente. Ele usou umas perucas esquisitas, mas tem muita informação de moda ali. E o Renato Loureiro eu adorei, especialmente a linha de tricô, e as sapatilhas inspiradas nos japoneses, foi um desfile muito gostoso de se ver. A instalação do Tunga dificultou a visão do desfile da M. Officer. Os tecidos são muito interessantes mas falta estilo. (Débora de Paula Souza, editora de moda da Revista Marie Claire)

mockup