As boas novas do Pato Fu
Nelson Sato
De Londrina
O Pato Fu chegou ao ponto. Com seu novo e quinto álbum, Isopor, o quarteto mineiro parece ter alcançado a fórmula do pop reunindo um belo apanhado de canções irresistíveis.
É o repertório desse disco que Fernanda Takai e sua turma mostram hoje no Cinema Café, em Londrina, a partir de 22 horas. Antes do show, o grupo faz uma tarde de autógrafos, às 16h30, na loja Ellus do Catuaí Shopping. Amanhã eles se apresentam em Curitiba, onde retornam na quarta-feira para tocar na Pedreira Paulo Leminiski no Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
Pato Fu constitui, ao lado dos Raimundos e do Skank, o trio bem-sucedido de bandas surgidas no começo da década. Despontou como queridinha da crítica, que cansou de associá-la aos Mutantes comparando a voz doce da vocalista com a de Rita Lee. Só aos poucos foi se impondo ao grande público. Antes de Isopor, lançou quatro discos: Rotomusic de Liquidificapun (1994), Gol de Quem? (95), Tem Mas Acabou (96) e Televisão de Cachorro (98). Nenhum deles, contudo, trazia a coesão e o apelo pop presentes no novo trabalho.
Isopor é repleto de hits potenciais. Filia o Pato Fu ao idioma do pop internacional apresentando influências de artistas como Bjork, Pizzicato Five, Cibo Matto e The Cardigans. A canção Depois, já estourada nas FMs, puxa o carretel de faixas assobiáveis. Em Perdendo Dentes, Fernanda Takai canta: As brigas que ganhei / nenhum troféu / como lembrança / Pra casa eu levei / As brigas que perdi / Estas sim / Eu nunca esqueci.
Em Prato do Dia, ela diz: Moço, hoje eu vou querer / a comida mais estranha / a que menos se pareça / Comigo / Tô me sentindo meio janta hoje / Tô me sentindo meio arroz com feijão. Impossível não cantar junto. A seguir, a entrevista que a vocalista Fernanda Takai concedeu à Folha2
Que idéias vocês trabalham nesse disco?
Fernanda Takai: O disco reflete muito de nossas influências atuais. A música Made in Japan, por exemplo, foi inspirada no Pizzicato Five. Há alusões ainda a Radiohead, Sheryl Crow, Bjork etc. Antes não conseguíamos revelar referências tão imediatas em nossos discos por falta de equipamento e tecnologia de estúdio. No Isopor, pudemos contar com uma série de recursos, como a obtenção de timbres e efeitos digitais de voz. O disco soa como se fosse de qualquer grupo da Europa ou dos Estados Unidos.
É o disco mais eletrônico de vocês?
O Rotomusic Liquidificapun, nosso primeiro álbum, só é o mais eletrônico porque a gente gravou sem baterista. Mas os equipamentos que usamos naquela época eram bem toscos, acessíveis a todo mundo.
Isopor parece o álbum com o maior número de canções pop de vocês pop aqui no sentido de canções acessíveis, redondas e radiofônicas. Você concorda?
A música mais pop do disco é Depois, que foi escolhida para a música de trabalho. Mas acho que a gravadora vai ter trabalho para achar outra, já que as faixas são bem diferentes entre si e não são tão acessíveis. Se você colocar no contexto do pop internacional, eu concordo. O que acontece é que o som que pode ser mainstream lá fora, no Brasil ainda causa estranhamento. A distorção na bateria numa faixa, a letra em japonês em outra, a guitarra que parece rachada ou a música kitsch com um pé no futuro ainda não são
bem-aceitas nas rádios.
Pato Fu. Show hoje, a partir das 22 horas, no Cinema Café de Londrina (Avenida Rio Branco, 135 A). Ingressos antecipados a R$ 10,00. Pontos de venda: Pátio San Miguel, Ellus e Confeitaria Viena. As meias-entradas para estudantes só serão vendidas na portaria do Cinema Café. Mais informações pelo telefone (43) 338-0080





