As aventuras do ratinho Stuart Little invadem as telas de todo País2/Mar, 15:24 Por Luiz Carlos Merten São Paulo, 02 (AE) - Numa cena de "O Pequeno Stuart Little", o ratinho conversa com o menino que está aborrecido. O garoto tenta explicar por que deixou interrompida a construção de um barco de brinquedo. Diz que tem medo de concorrer na competição com as outras crianças da escola, tem medo de ser o último. "Bom, mesmo se você perder pelo menos terá tentado", diz o sábio Stuart Little. É a "mensagem" do autor, Rob Minkoff, co-diretor de "O Rei Leão". Não deixa de ser um tema hustoniano, já que o grande John também gostava de exaltar em seus filmes a validade do esforço, mesmo diante da inevitabilidade do fracasso. Brincadeirinha. Não há nada menos próximo de "O Pequeno Stuart Little" do que um filme de John Huston, mesmo naquele momento pouco inspirado em que o pai de Anjelica quis fazer (com o musical Annie) uma obra para crianças. Esqueça Huston. "O Pequeno Stuart Little" entrou em cartaz arrebentando nas bilheterias dos Estados Unidos. No Brasil, a distribuidora Buena Vista acredita numa repetição do sucesso, tanto que o filme está entrando (em versões dubladas, a maioria, uma que outra legendada) com quase 300 cópias. É um prodígio de efeitos especiais. O ratinho que fala e age como gente ao ser integrado à família Little parece de verdade. O filme, e essa deve ter sido a intenção de Minkoff, porque ele veio da animação à Walt Disney, é fazer o elogio da diferença e da tolerância. Stuart Little é aceito pela família, embora seja diferente. Na mesma cena com o garoto, o menino lhe diz, depois de ouvir suas afirmações demasiadamente sensatas, não estar seguro de querer um irmão. Stuart Little lhe propõe então: "E que tal sermos amigos?" O menino entusiasma-se: "Um amigo nunca é demais". Por meio dessas cenas e desses diálogos, Minkoff vai passando o que quer dizer, pois "O Pequeno Stuart Little", como produção cultural para a crianças, procura veicular conceitos positivos para o desenvolvimento infantil. É um mérito que o filme esteja mais interessado em propor idéias do que em estimular o consumo de objetos, embora o ratinho, que, com certeza, será colocado à venda, seja um item atraente para qualquer colecionador. O rato fala, no Brasil, com a voz de Rodrigo Santoro, o galã global. É um trabalho correto. Brilhante é o gato de Miguel Falabella, que o apresentador do "Vídeo Show" cria com uma deliberada dose de ironia maldosa. Gatos e ratos sempre foram inimigos, na realidade como no cinema. Tom e Jerry imortalizaram-se como personagens de animação. O gato é, pelo menos no começo, o vilão de "O Pequeno Stuart Little". Tenta fazer de tudo para afastar o ratinho de casa, impedindo que ele seja reconhecido como um integrante da família. Há cenas entre os dois dignas de Tom e Jerry. Mas, com o desenvolvimento da história, o espectador vai vendo que os dois não são tão inimigos assim e o gato até desenvolve uma relação solidária com o rato. De novo o elogio da tolerância. Vindo de Minkoff, co-diretor do genial "O Rei Leão", talvez se pudesse esperar mais - mais humor e inteligência, menos sentimentalismo. Mas não é ruim. E, para o público-alvo, talvez seja uma experiência agradável. Para os pais não será um grande sacrifício. Dá para enternecer-se com o simpático Stuart Little.