AS AVENTURAS DE ULISSES
Marcos Losnak
De Londrina
Especial para a Folha2
A lenda das sereias, que com seus belos cantos seduziam os marinheiros, correu os quatro cantos do planeta. Atordoados pela música, os marujos se lançavam ao mar para encontrar a morte. Segundo a tradição, houve apenas um único homem que ouviu o canto das sereias sem cair nos braços da morte. Seu grande truque para ouvir a música das sereias e não se atirar ao mar, foi amarrar-se no mastro do barco. Seu nome, Ulisses (também conhecido como Odisseu).
Ouvir o canto das sereias foi apenas uma das dezenas de aventuras vividas por Ulisses. Sua história é contada no clássico Odisséia, cuja autoria é atribuída ao poeta grego Homero que teria vivido entre os séculos 9 e 7 a.C. Ao lado de Ilíada, também atribuída a Homero, é considerada o marco inicial da literatura ocidental.
Escrita originalmente em versos, a Odisséia recebeu inúmeras versões retratando a coragem e a inteligência do herói Ulisses. Uma nova versão voltada ao público infanto-juvenil, realizada pela consagrada Ruth Rocha, chega essa semana às livrarias publicada pela Editora Companhia das Letrinhas. Numa bem cuidada edição, o livro traz ilustrações de Eduardo Rocha que reproduzem o estilo da antiga arte grega.
Pautada pela riqueza da mitologia grega com seu panteão de deuses, a Odisséia conta a trajetória de Ulisses em sua viagem de volta para casa, localizada na ilha de Ítaca, após a vitória da Guerra de Tróia. Através da vingança dos deuses, Ulisses permanece anos e anos vagando pelo mar, passando de ilha em ilha, enfrentando perigos sobre perigos sem conseguir chegar em casa. Enfrentando monstros e a fúria divina com coragem inigualável, acaba perdendo toda a tripulação e a própria embarcação. Apiedados de seu sofrimento, os deuses resolvem prestar-lhe ajuda.
Quando finalmente aporta em seu reino, encontra-o à beira do caos. Os pretendentes de sua esposa considerada viúva dilapidam seu palácio. Disfarçado de mendigo, Ulisses procura saber realmente quem lhe permanece fiel após anos de desaparecimento. Os infiéis são mortos pelas suas próprias mãos com a ajuda dos deuses.
Vale lembrar que a Odisséia começa exatamente onde termina a Ilíada. Se por um lado Ilíada narra a Guerra de Tróia com o lendário cavalo de madeira recheado de guerreiros entregue de presente aos troianos pelos gregos Odisséia narra o regresso de herói Ulisses. Em ambas as obra, deuses mitológicos possuem um determinante e complexo papel. Até mesmo os limites entre divindade e humanidade são rompidos na criação do imaginário grego.
Apesar da bela versão de Odisséia, realizada por Ruth Rocha, bem como a acertado estilo das ilustrações de Eduardo Rocha, a edição perdeu a oportunidade de oferecer aos jovem leitores informações históricas que completariam o entendimento da clássica obra. Homero, por exemplo, é citado apenas na última página do livro. Coisas simples e até óbvias, como a época em Odisséia foi escrita, ficaram de fora. Tendo em vista que o volume é direcionado ao público infanto-juvenil, que supõe-se nunca ter ouvido falar de Odisséia, muito menos de Homero e Grécia antiga, tais elementos históricos seriam bem-vindos.
Odisséia - de Ruth Rocha, ilustrações de Eduardo Rocha, Editora Companhia das Letrinhas, 104 páginas, R$ 21,00.





