ReproduçãoGerard Depardieu e Anne Brochet na versão de Cyrano do diretor Jean-Paul RappeneauUm militar narigudo, brigão e ótimo espadachim iniciou uma carreira de sedutor há cem anos, provocando paixão nas mulheres e respeito nos homens. O sucesso do personagem Cyrano de Bergerac é tanto que ele se tornou símbolo da França. Sua história já foi encenada em muitos países e com direito a várias versões para o cinema.
A peça ‘‘Cyrano de Bergerac’’, escrita pelo dramaturgo francês Edmond Rostand, estreou no Teatro da Porte Saint-Martin, em Paris, no dia 27 de dezembro de 1887. Logo na primeira apresentação, os atores e o texto foram aclamados pela crítica e pelo público. Dez dias depois, então presidente da França, Félix Favre, foi conferir o sucesso.
O enredo da peça mistura comédia, romance e aventura: Cyrano de Bergerac, famoso por seu grande nariz e valentia (‘‘Colossal nariz, que de tão colossal chega aos confins do absurdo, que até leva a pensar que é postiço, e ele o tira a qualquer momento. E ai de quem disser alguma coisa sobre sue nariz’’, explica o texto), ama em segredo sua belíssima prima Roxane, mas ela está apaixonada pelo barão Christiano de Neuvillette, bonito, mas bobo. O nobre reconhece sua dificuldade com as idéias e pede ajuda a Cyrano para aproximar-se de Roxane. Ele começa a dizer a Christiano quais palavras inteligentes devem ser ditas para seduzir Roxane, como ‘‘O afeto que me invade,/ Terrível, e zeloso, e cheio de verdade,/ É amor; tem do amor a fúria que me atrista./ É amor, mas amor sem ser exclusivista.’’ A tática dá certo, pois os dois se casam.
Cartas de amor Contudo, antes da noite de núpcias, Christiano parte para a guerra. Durante meses Roxane recebe cartas apaixonadas do marido. Mas elas eram escritas por Cyrano, que as assinava como sendo o barão.
Quinze anos depois, Roxane, já viúva, mora num convento. Cyrano, prestes a morrer por causa de um ferimento na cabeça, vai visitá-la e ela finalmente descobre de quem era o verdadeiro autor das palavras por quem tinha se apaixonado.
Para criar essa história, Rostand baseou-se num personagem verídico. Vivendo na França do século 16, Hector Savinien de Cyrano de Bergerac foi um soldado e dramaturgo que sempre estava pronto a duelar com qualquer um que fizesse alguma observação sobre seu nariz.
Rostand, que morreu em 1918, aos 50 anos, escreveu outras peças, como ‘‘A’Aiglon’’ e ‘‘Chantecler’’. Mas elas não alcançaram o prestígio de ‘‘Cyrano de Bergerac’’.
A história do narigudo tornou-se ópera, um musical de jazz, filmes (um dos quais pornô). Em 1950, uma versão em preto e branco garantiu a Jose Ferrer, no papel título, o Oscar de melhor ator. Em 1987, houve uma versão atualizada, ‘‘Roxane’’, com Steve Martin fazendo um bombeiro com o nariz avantajado e Daryl Hannah a bela astrônoma Roxane.
No Brasil, a versão teatral mais famosa é a de 1985, quando Antônio Fagundes fez o papel principal e Bruna Lombardi, Roxane. Na época, Fagundes explicou o sucesso da obra: ‘‘Cyrano é talvez o clássico mais próximo do público, por ser uma peça extremamente bem-humorada’’.
Para comemorar o centenário de estréia, o Theatre de Chaillot, em Paris, organizou uma exposição de cartazes, fotografias e figurinos de várias produções nestes cem anos. Atualmente, há três montagens de ‘‘Cyrano de Bergerac’’ na capital francesa, numa das quais Roxane é representada pela brasileira Cristiana Reali.

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