As anotações bocageanas de RoRô
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de novembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Arquivo FolhaÂngela RoRô: Não sei o que acontece com meu nome e acabo sempre ficando expostaMais mãe e mais doméstica do que nunca. Assim está Ângela RoRô, como ela mesma se define. Com a turnê Nosso Amor ao Armagedon desde 1993 - show que ela apresenta hoje em Foz do Iguaçu -, a cantora e compositora prepara o seu primeiro livro. O Almanake Ângela RoRô vai trazer algumas histórias de sua vida, brincadeiras, calendários exóticos, poesias, caricaturas e desenhos feitos pela própria cantora, que os define como uma coisa sensual tipo Bocage (poeta português que viveu entre 1765 e 1805, conhecido por suas obras consideradas libertinas para a época).
O livro será bancado pela própria cantora, que diz estar juntando economias para lançá-lo no final deste verão. Vou usar a editora, que ainda não escolhi, apenas para distribuí-lo, revelou com exclusividade à Folha, por telefone. RoRô comenta que está menos polêmica e que não vai colocar nada picante em seu livro, mas pretende revelar algumas passagens interessantes de sua vida. Na nova fase, ela afirma que quer deixar para trás a rede de escândalos tecida a seu redor há uma década.
Algumas das coisas que vou contar são inéditas. Mas não será nada bombástico porque minha vida sempre foi aberta. Tão aberta que, em certas entrevistas, corro sempre o risco de não ter nada de novo para contar, brinca.
Vivendo um novo romance, que ela faz questão de não revelar o nome, RoRô diz que está apaixonada há seis meses e isso faz com que seu show fique mais doce e mais romântico. Além do livro, ela pretende voltar a compor no ano que vem. Nessa fase doméstica, ela pretendia dar um tempo para si mesma e se reciclar.
Apesar da mudança no comportamento, no palco RoRô é a mesma e continua com graves rascantes entremeados por um falatório bem-humorado. Como adora contar histórias entre canções, uma atrás da outra, expondo risos e mágoas com irreverência, ela diz que perde um amigo, mas não improvisa jamais.
No show Nosso Amor ao Armagedon - o mesmo título do disco -, RoRô canta em companhia do tecladista e maestro Ricardo Mac Card. O show vai do clássico romantismo francês Ne me Quites Pas, de Jacquel Brel; a músicas de Chico Buarque, como Bárbara; e de Caetano Veloso, como a balada Escândalo, além de alguns jazz, e músicas de Frank Sinatra.
RoRô inclui nesse disco a sua parceria com Cazuza, na música Cobaias de Deus, e algumas coisas minhas, como ela define as músicas Amor, Meu Grande Amor, Tola Foi Você e outras canções.
Nosso Amor ao Armagedon - show com Ângela RoRô, hoje, às 23 horas, no Café Concerto Stúdio Bar (Rua Almirante Barroso, 751), em Foz do Iguaçu. Ingressos: Individual R$ 25,00 e mesas (4 pessoas) R$ 100,00. Reservas: (045) 572-2100.


