Abandonado, rejeitado, encaixotado. A saga desse instrumento, construído na década de 1940, não daria uma ópera, mas um melodrama. O órgão de tubos foi trazido à cidade para a antiga Catedral, e quase foi demolido junto com esta. Salvo pelo padre Carlos Weiss, ficou sob responsabilidade da UEL.
Durante alguns anos, permaneceu desmontado nos porões do colégio Hugo Simas. Alguns dos tubos do órgão desapareceram nessa época, levados pelos alunos. Foi preciso uma campanha para reaver parte dos tubos.
Em 1973, a UEL custeou a restauração e montagem do instrumento em Indaiatuba, onde foi construído. Mas o instrumento ficou tanto tempo na oficina que a UEL passou a dever uma quantia considerável pela guarda do órgão no local.
Passados 14 anos, o órgão enferrujou, rachou e precisou de nova reforma. Então secretário de cultura, o escritor Domingos Pellegrini iniciou uma campanha de arrecadação de fundos junto a empresários e à comunidade para que o instrumento pudesse voltar à Catedral. Mas a cidade pouco contribuiu, e a prefeitura acabou bancando praticamente sozinha a volta do órgão.
Previsto para o primeiro semestre de 1991, o retorno só ocorreu em 1994. Mas a inauguração foi decepcionante: apenas um dos nove registros estava funcionando, o que impossibilitou a execução da maioria do programa preparado pela organista Maria Luísa Magalhães.
O instrumento permaneceu na Catedral, sem funcionar, até 1997, quando a própria Cúria Metropolitana resolveu devolvê-lo para a UEL, sob a alegação de que o instrumento não funcionava e não combinava com o estilo arquitetônico do local. Encaixotado novamente, só voltou a tentar ser montado este ano. E agora, novamente fechado e lacrado como em um túmulo, o órgão aguarda a oportunidade de retornar à vida. (A.I.)

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