As absurdas obsessões de Jim Carrey
Não há quem não tenha lá seus números preferidos. Para jogos ou satisfazer pequenas superstições, há sempre combinações de números na vida da maioria das pessoas. Mas daí a levar a sério a ponto de satanizar a coisa, só mesmo da cabeça de roteiristas hollywoodianos. Para Walter Sparrow (Jim Carrey), simples apanhador de animais perdidos nas ruas, sua vida de repente passa a girar ao redor de obscura obsessão com um número, e sua tranquila existência se transforma em tortura psicológica.
Em ''Número 23'' (confira a programação de cinema na página 2), por influência da mulher (Virginia Madsen), Walter começa a ler um misterioso livro com este título. E ele vai desenterrando segredos de seu passado. A obra, de capa vermelha, relata um crime que vai refletir a vida do personagem de maneira tenebrosa. Ali se narra a existência de Fingerling, detetive em conflito e que é perseguido por tortuosos pesadelos. A partir de determinado ponto, cada página do livro começa a controlar o dia-a-dia de Walter.
Convencido de que uma maldição caiu sobre ele, Walter acredita que deve cometer o mesmo crime do detetive. E, como detetive, sai em busca desesperada para tentar se desfazer do tal número 23. Depois de um início quase humorístico, o filme toma o caminho do terror, e logo, violência, sangue e sexo fazem a conexão entre as páginas de ficção e um presente real que se torna incontrolável.
A partir de um roteiro que mais e mais se enreda na obsessão de Walter em descobrir segredos ocultos de sua infância, ''Número 23'' se transforma em thriller complicado, às vezes de difícil compreensão. Há elementos que confundem o espectador por causa da necessidade de contar a história do personagem central e de seu alter ego detetive, imersos em situações que deixam a narrativa emaranhada.
Joel Schumacher, outrora um artesão capaz de interessar o público com filmes como ''Um Dia de Fúria'', ''8mm'' e ''Batman'', não consegue insuflar nesta trama complicada em demasia a dose certa de suspense e terror, deixando a flacidez tomar conta do relato. Jim Carrey já provou sua versatilidade em relação ao drama em várias oportunidades, e faz o que pode com a dupla personalidade de Walter. (C.E.L.J.)





