As 24 horas mais longas da tevê
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de janeiro de 2011
Rafael Ceribelli<br> Reportagem Local 
O começo do fim da premiada série 24 Horas, protagonizada pelo destemido agente Jack Bauer (Kiefer Sutherland) chega nas telas da TV brasileira a partir de hoje, nas madrugadas da Rede Globo. A 8ªtemporada da série americana que já foi vencedora do Emmy e do Globo de Ouro pela categoria Melhor Série Dramática repete a mesma fórmula que a elevou suas temporadas ao sucesso mundial: um roteiro de ação frenética e cheio de reviravoltas, uma história contada em tempo real e um agente que quebra todas as regras de conduta.
Revolucionária tanto no sentido estético quanto narrativo, o destaque presente em todas as oito temporadas da série é a presença de um ritmo único, dividida sempre em 24 episódios de uma hora, que mostra em tempo real os fatos envolvendo a vida nada fácil do agente especial Jack Bauer fazendo o cotidiano de James Bond e de John Maclane parecerem um passeio no parque.
Além da produção impecável e da interpretação marcante de Sutherland e do elenco secundário, o que faz da série 24 Horas diferente de qualquer outra do gênero é que ela sustenta o reflexo fiel do sentimento americano pós 11 de setembro: a moral da história é que não é mais possível confiar em ninguém. Qualquer pessoa que você pensa que conhece seu vizinho, um amigo ou até sua mãe pode estar atualmente tramando planos para explodir uma Embaixada ou matar o presidente.
Em um cenário que apenas linhas tênues separam o bem do mal, surge o personagem trágico de Jack Bauer um agente que não mede esforços e medidas drásticas para impedir a ação dos terroristas e, dessa forma, cumprir as suas obrigações com o país. Ironicamente, durante o decorrer da série, Jack começa a sofrer as consequências de seus atos e se transforma, pouco a pouco, em um cowboy solitário, renegado pela sua família e pelos seus próprios governantes.
Uma grande série sempre deixa grandes discussões para a posteridade, e 24 Horas acaba, com sua narrativa pautada sempre pela ameaças dos terroristas, suscitando muitas questões interessantes sobre os limites da moral e a legalidade da violência.
Na série, o amor pelo dever cívico é constantemente contagiado pelos sentimentos pessoais de Jack, e as ações em nome da defesa dos cidadãos americanos contra terroristas multinacionais representados por árabes, russos, chineses e traidores não possuem nada em comum com a justiça do passado. Tudo vale na luta contra o terror; hoje, matar e torturar são verbos muito mais efetivos do que prender e julgar.
A mensagem engatilhada é clara e polêmica: é tempo de sujar as mãos, e não é mais possível enfrentar lobos com a conduta de carneiros.
Serviço
■ 24 Horas - 8ª Temporada 00h15 na Globo


