Árvores Abatidas estréia hoje
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quarta-feira, 09 de julho de 2008
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Baseada na obra de Thomas Bernhard, estréia hoje, em Curitiba, a peça Árvores Abatidas, da Marcos Damaceno Companhia de Teatro. O espetáculo será apresentado na sala de ensaios que fica nos fundos da residência do diretor, batizada de Casa do Damaceno.
O texto é inspirado no romance homônimo de Bernhard sobre os conflitos vividos no meio artístico da cidade de Viena, no século XX. Segundo o autor da peça e diretor, Marcos Damaceno, embora o romance seja ambientado na capital austríaca, as críticas servem também à capital do Paraná. A primeira vez que eu li, dava a impressão de que ele estava falando sobre Curitiba. Curitiba veste muito bem a carapuça, justifica Damaceno.
As várias personagens da obra original, geralmente homens, foram misturadas em uma só. E o monólogo é interpretado pela atriz Rosana Stavis. Foi mais inspirado na obra de Bernhard do que propriamente uma adaptação. Da obra original, o que sobrou foi o seu espírito sarcástico, zombeteiro e provocador, afirma o diretor.
Para Damaceno, as críticas ajudam a exorcizar os males do qual trata o texto, entre eles a mania de falar mal de tudo. Faz parte da tradição dessa cidade falar mal de tudo, por mais que goste. A relação de amor e ódio que ele (Bernhard) tem com Viena é a mesma que muitos têm com Curitiba. Parece um curitibano falando da sua cidade, compara. Vamos nos exorcizar para não ficar como essas pessoas: magoadas, ressentidas, postura muito perigosa porque não leva a lugar algum, completa o diretor.
Na peça, uma mulher, convidada a participar de um jantar artístico, em homenagem ao famoso ator do Teatro Nacional que faz até telenovela, percebe que está, na verdade, em uma reunião de talentos medíocres. Arrependida de ter aceitado o convite, reflete sobre sua vida e o meio que a cerca, sob a lembrança de uma grande amiga de todos enterrada naquele mesmo dia. Tudo se passa na mente da personagem, é como funciona a consciência humana, nossos pensamentos, ressalta Damaceno. Mesmo com muito sarcasmo, segundo o diretor, a montagem mantém a preocupação com o ritmo, a poesia, a beleza e a musicalidade das palavras, características do texto original. O espetáculo foi contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Mirian Muniz.
Beckett
O grupo curitibano de teatro Processo retorna ao palco com a peça Samuel, hoje, no Teatro Barracão EnCena. O trabalho é o resultado de pesquisas e estudos sobre a obra de Samuel Beckett que o grupo vem realizando há dois anos.
A apresentação é dividida em cinco trechos curtos: Ato Sem Palavra I, II e III, com texto do próprio Beckett, no qual os atores Hermison Nogueira e Andrew Knoll revezam-se no palco, vestidos com máscaras; e Fragmento Internáutico I e Fragmento Radiofônico I, criações do grupo a partir do universo do autor.
A peça tem referências primitivas e orientais, mas também incorpora elementos contemporâneos e tecnologia que não existiam quando Beckett escreveu sua obra. Quando foi apresentada no ano passado, Fragmento Radiofônico foi também transmitido pela Rádio Universitária do Paraná e teve 400 CDs distribuídos gratuitamente para bibliotecas públicas, universidades e centros culturais.


