Aruba vira sonho de consumo
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2004
Por Ana Carolina Sacoman<br> Agência Estado 
Ela já foi chamada de inútil pelos conquistadores espanhóis, que não acharam ouro por lá. Passou pelas mãos dos ingleses, que não fizeram muito esforço para entender a dinâmica de seu povo. Virou colônia holandesa e foi deixada meio de lado até que alguém ''percebeu'' o contraste sem concorrentes entre suas areias branquíssimas e seu mar de azul dégradé. Bastou um olhar mais demorado para ver que Aruba tinha - e muito - a oferecer.
Como em qualquer conto de fadas em que a gata borralheira se transforma numa princesa, a ilhazinha cercada pelo Mar do Caribe virou um sonho de consumo. E louco de quem não deseja passar alguns dias sob suas temperaturas para lá de agradáveis: sempre faz uns 28 graus, inverno não existe e ainda por cima está fora da rota de furacões do Caribe. Não bastasse isso, o cenário é digno de contemplação por horas a fio.
Para quem sai de um país de proporções continentais, fica até difícil entender como a paisagem pode ser tão variada num espaço de 35 quilômetros quadrados. Sim, Aruba é pequenininha, mas surpreendente. No interior, por exemplo, um visual estilo deserto mexicano chega a espantar. Os cactos dominam o horizonte, muito árido.
Mais uns poucos quilômetros e as pedras começam a tomar conta do terreno. Uns passos mais e pode-se ver uma extensa região em que o chão é formado por corais - uma prova de que a ilha aumenta um tantinho a cada ano. Por toda parte, porém, os divi divi, árvores retorcidas e que parecem lutar contra o vento o tempo todo, chamam a atenção e viraram marca registrada.
Dificilmente, no entanto, algo vai deslumbrar tanto quanto o litoral. O mar calmo, limpo e de águas mornas convida, insinuante, a um mergulho. E a outro, e a outro... Há de se ter muita força de vontade para conseguir voltar para terra firme!
Nas águas estão as opções mais atraentes de passeios. Isso, porém, não serve de pretexto para a exclusão das atrações em terra. Vale reservar pelo menos uma tarde para um tour demorado por Aruba e desvendar suas particularidades. A ilha não guarda segredos de seus visitantes - basta querer desvendá-los. Por isso, um roteirinho básico de jipe, carro, bicicleta ou a cavalo ajuda a entender um pouco mais do que já se pode perceber pela língua nativa.
Híbrido de espanhol e holandês, com uma pitada de português, o papiamento - falado ainda em Bonaire e Curaçau - é uma prova da mistura que deu tão certo por lá. Do encontro entre os primeiros habitantes, os índios caquetios, e os muitos conquistadores - em especial os holandeses - nasceu um povo mestiço, em que a alegria caribenha e a funcionalidade européia correm nas veias em doses idênticas. Além, é claro, dos homens e mulheres de peles morenas e olhos claros...
Muito mais do que bonitos, os cerca de 90 mil moradores de Aruba dedicam tempo ao exercício da simpatia. Eles sempre se esforçam para entender o interlocutor, em qualquer língua. Vale lembrar que, além de falar holandês e papiamento, a maioria domina, pelo menos, inglês e espanhol, línguas ensinadas nas escolas.
Se você fala somente português, sem problemas. Eles entendem um pouquinho, fazem mímicas... Enfim, não deixam ninguém passando sede nem fome.
Fome, aliás, é proibida lá, uma vez que a culinária não deixa a desejar. Peixes e todos os tipos de frutos-do-mar fazem a alegria dos turistas, mesmo os de paladar apurado. E, para não deixar ninguém de fora, há também opções deliciosas para quem prefere carne de boi ou de frango. Para acompanhar a escolha, vale pedir uma Balashi, a forte cerveja local, sempre bem gelada.
Diante de todo esse mosaico de cores, sabores e surpresas, ninguém se espanta ao ver, nas placas de todos os carros, logo abaixo do número de identificação, o slogan adotado por moradores e logo incorporado pelos turistas: ''Aruba, one happy island'' ou, simplesmente, uma ilha feliz.


