Deliciosas canções resgatadas por artistas sensíveis, são a prova inequívoca de que os nossos clássicos adquirem essa importância sem favor algum. Porque, para acabar com a música brasileira, tem-se o trabalho dos brasileiros e não brasileiros. Apesar disso, sob toneladas de esquecimento e indiferença, há muito brilhante faiscando.
Claudionor Cruz e Pedro Caetano deixaram suas assinaturas de ourives em composições como ‘‘Eu Brinco’’ (ou ‘‘Com Pandeiro ou Sem Pandeiro’’), que Francisco Alves gravou em 44; ‘‘É com Esse que Eu Vou’’, de 1947; ‘‘Sei que é Covardia’’, de Claudionor e Ataulfo Alves, de 1939, etc.
Os dois parceiros nasceram no interior de São Paulo: Claudionor José da Cruz,
a 1º de abril de 1910, em Paraibuna, e Pedro Walde Caetano, a 1º de fevereiro de 1911, em Bananal. Nos anos 30 começariam a trabalhar juntos.
Claudionor, filho de mestre-de-banda, tinhas irmãos músicos. Ele tocava caixa. Como profissional estreou tocando cavaquinho; participou de vários conjuntos até formar o Claudionor Cruz e seu Regional.
Sua primeira composição foi com Pedro Caetano: ‘‘Tocador de Violão’’, gravada em 1935 por Augusto Calheiros, na Odeon. O sucesso viria em 38 com ‘‘Caprichos do Destino’’, gravada por Orlando Silva. Claudionor compôs também com André Filho - o criador de ‘‘Cidade Maravilhosa’’ -, Wilson Batista, Dunga e outros.
Atuou muitos anos como baterista, mas para o sustento da família foi vendedor de livros e operador de carga do cais do porto. Atuou chefe do conjunto regional até não aguentar mais a pressão da música estrangeira sobre as rádios.
Pedro CaetanoQuando sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1920, Pedro Caetano já estudava piano. Seu primeiro samba surge aos 22 anos de idade: ‘‘Foi uma Pedra que Rolou’’. Em 1942 Ciro Monteiro, que seria um de seus maiores intérpretes, gravou o choro ‘‘Botões de Laranjeira’’. Nesse mesmo ano Francisco Alves emplacou de Caetano e Alcir Pires Vermelho, o samba ‘‘Sandália de Prata’’.
Em 46 Ciro Monteiro grava o choro ‘‘O que se Leva Desta Vida’’, Este se tornaria um dos carros-chefes da carreira do cantor. ‘‘Onde Estão os Tamborins’’, de 47, chegou às paradas nas vozes do conjunto Quatro Ases e Um Coringa.
Destaque no carnaval de 48: ‘‘É Com Esse que Eu Vou’’, também com o Quatro Ases e Um Coringa. Pedro Caetano, com mais de 400 composições, não teve na música seu principal sustento. Manteve por toda a vida a profissão de comerciante de calçados. (Z.C.L)

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