ARTISTAS QUE ESTÃO NO MAPA
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de maio de 2001
Nelson Sato De Londrina 
O livro Mapeamento Nacional da Produção Emergente, fruto de uma extensa pesquisa realizada pelo instituto Itaú Cultural, destaca quatro artistas do Paraná
Um ambicioso levantamento das artes visuais brasileiras chegou ao fim de sua primeira expedição. O resultado pode ser conferido no livro Mapeamento Nacional da Produção Emergente, que acaba de ser lançado reunindo perfis de 84 artistas selecionados ao longo de um ano a partir de curadorias espalhadas por várias regiões do país.
Entre os elencados figuram quatro artistas do Paraná: Marcos Jorge, Marcelo Scalzo, Karina Marques e Walter Menon (este morando há anos em Brasília). A publicação cumpre a última etapa do programa Rumos Visuais 99/2000, idealizado pelo instituto Itaú Cultural com o objetivo de formar, difundir e fomentar a criação artística no país.
O instituto é o responsável pela edição do livro em parceria com a editora da Unesp e a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. O volume, com pouco mais de 180 páginas, não se limita a apresentar os trabalhos e currículos dos artistas garimpados. Fiel aos propósitos do projeto, inclui também textos críticos sobre a situação da artes nas várias regiões visitadas.
A investigação levou em conta o ensino, a difusão e o estado técnico e conceitual das artes. As discrepâncias afligem. O diagnóstico é, muitas vezes, devastador. Nas regiões norte e nordeste, quase tudo está por fazer escreve a curadora Angélica de Moraes referindo-se aos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão.
O ensino das artes visuais não existe na universidade. Os mais próximos desse conteúdo são os cursos de arquitetura e comunicação social. Não há sequer cursos informais sistemáticos de bom nível nem ciclos de palestras, eventuais que sejam, para romper esse isolamento. A grande maioria dos museus de arte nordestinos funciona como meros depósitos de obras.
Sobre o Paraná, sua avaliação é bem mais positiva. Além de perceber investimento oficial na manutenção de museus e galerias, nota uma rede de formação de artistas através de ateliês e uma grande movimentação em torno dos salões de arte, embora nestes segundo ela prevaleça uma elasticidade excessiva de critérios, o que dificultaria a percepção das linguagens atuais.
A carência teórica, que atribui à universidade, e a falta de crítica especializada na imprensa são outras ressalvas apontadas em seu balanço. Angélica foi uma das curadoras-coordenadoras do projeto ao lado de Daniela Bousso e Fernando Cocchiarale. Essa equipe centralizou o mapeamento, dialogando com curadores-adjuntos das várias regiões. O diretor do MAC, João Henrique do Amaral, ficou responsável pelo Paraná.
O programa contou também com workshops e palestras. Nessas ocasiões, os participantes puderam travar contato com professores universitários e outros pesquisadores das artes visuais. Promoveu-se também o diálogo de artistas em início de formação com profissionais experientes e consagrados. O levantamento de campo e a inscrição espontânea contabilizaram cerca de 3 mil artistas pesquisados, dos quais 1.576 apresentaram portfolios.
Posteriormente, uma peneirada filtrou os 84 artistas reunidos no livro. Numa etapa seguinte, as obras foram objetos de reflexão permitindo a elaboração de recortes em blocos conceituais tais como Em Torno do Corpo, Contra-Imagem, O Plano Ampliado, Desconcertos da Forma, Fotografia: o Espelho Infiel, As Bordas do Vazio, Vertentes Contemporâneas e outros.
Tais painéis foram desdobrados em exposições itinerantes específicas que percorreram o país desde agosto de 1999. Em nosso Estado, coube ao Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba, abrigar a mostra. No livro, os recortes teóricos aparecem coligidos na forma de artigos de duas páginas. No tópico Fotografia: o Espelho Infiel, sobram elogios para um dos paranaenses contemplados.
Marcos Jorge é grata descoberta de videoartista de talento escreve Angélica de Moraes. Desponta após uma década de formação no exterior e produção praticamente desconhecida no país, embora bem situado no circuito institucional de mostras internacionais. Por envolver o uso de equipamento e práticas dispendiosas, a videoarte tem no Brasil um elenco reduzido e de difícil renovação. Mas é um inegável acréscimo, fruto de sólido aprendizado de cinema e especial cuidado com a técnica, além de criativo uso da edição da imagem eletrôncia, o que confere a seus trabalhos uma sedução imediata do olhar.
Marcos Jorge, 36 anos, é de Curitiba. Morou na Itália em 1989 onde estudou teoria do cinema, roteiro e direção de atores. Foi premiado no XI Rio Cine Festival com o vídeo Reflections e no IX Salão Paulista de Arte Comtemporânea com a obra Paisagens. Como ele, os demais paranaenses selecionados também são nomes estranhos ao circuito das artes.
O também curitibano Marcelo Scalzo, 39 anos, tem formação em Ciências Biológicas. O que aprendeu na universidade, transporta para seus objetos e instalações lançando mão inclusive de instrumentos usados na Medicina. Já Walter Menon, 34 anos, é nascido na Capital do Estado mas residente no Distrito Federal. Em 1998, recebeu o Prêmio Brasília de Artes Visuais.
Karina Marques, 31 anos, por sua vez, é de Castro, embora more em Curitiba. Formou-se pela Escola de Música e Belas-Artes do Paraná. Seu currículo inclui participação em exposições coletivas como o XIX Salão Banestado de Artistas Inéditos (em Curitiba), V Mostra de Artes Plásticas (Goierê), XI Salão de Artes Plásticas (Itajaí), XII Mostra Cascavelense de Artes Plásticas (Cascavel) e 56º Salão Paranaense no MAC (Curitiba).
O programa Rumos Visuais continua nesta temporada. O prazo de inscrições para a edição 2001/2002 foi prorrogado esta semana até o dia 11 de maio. O projeto é dirigido a artistas atuantes em todo o país que desenvolvam trabalhos em pintura, fotografia, escultura, gravura, desenho, instalação, objeto, videoinstalação, site specific, intervenção, novas tecnologias e performance. As inscrições são gratuitas. As fichas e o regulamento completo estão no site www.itaucultural.org.br
Já o livro está à venda a R$ 50,00 e disponível gratuitamente para instituições culturais e educacionais. Os pedidos devem ser encaminhados para o instituto Itaú Cultural (A/C Núcleo de Difusão Atendimento, Av. Paulista, 149, 5º andar, CEP 01311-000, São Paulo, SP).


