São Paulo, 01 (AE) - A exposição "O Brasil no Século da Arte", que está obtendo um grande sucesso, tendo atraído mais de 30 mil pessoas à Galeria do Sesi na Avenida Paulista, em São Paulo, preparou uma nova atração para os visitantes. Além de admirar um panorama de 200 obras-primas nacionais e internacionais que pertencem à coleção do Museu de Arte Contemporânea (MAC) de São Paulo, quem for à mostra no fim das tardes de quarta-feira terá a oportunidade única de visitar a exposição na companhia de artistas representados na coleção e críticos, que conhecem com maestria o acervo do museu e estarão compartilhando com o público suas impressões pessoais sobre o evento.
Amanhã à tarde, quem vai guiar o público por essa pequena, porém representativa, seleção do acervo do MAC será seu diretor-fundador, Walter Zanini. Ele é seguramente a pessoa que mais conhece a coleção, tendo dirigido o museu desde sua criação
em 1963, até 1978. Depois do professor Zanini, as visitas serão conduzidas por: Paulo Pasta, Carmela Gross, Aracy Amaral (que também dirigiu a instituição por vários anos), Leda Catunda, Nelson Leirner, Regina Silveira e Luiz Paulo Baravelli. Os encontros se prolongarão até o dia 21 de julho e são abertos, gratuitamente, ao público interessado.
Cada um deles terá a liberdade de enfocar o aspecto que lhe for mais interessante, muitas vezes adaptando a "aula" ao perfil do público presente, que na maioria das vezes é bastante hetereogêneo e com graus de informação bastante distintos. "Uma visita como essa é uma miscelânea de informações", explica Zanini, acrescentando que não tem um roteiro pré-definido. "As obras muitas vezes trazem a surpresa de uma revelação, até para os olhos mais experientes", diz ele, lembrando que uma tarefa dessas exige uma certa dose de imaginação.
São vários os aspectos que podem ser abordados e um dos temas mais fascinantes é a história da formação desse acervo. O MAC, ao contrário de outros museus do País, já nasceu com um rico acervo, tendo recebido as coleções do Museu de Arte Moderna (MAM), de Francisco Mattarazzo Sobrinho e de Yolanda Penteado, que incluíam tesouros da arte européia.
E ao longo dos anos seguintes o museu universitário foi ampliando seu acervo graças a aquisições, doações e outros mecanismos, tornando-se sem dúvida a maior coleção de arte contemporânea da América austral e capaz de rivalizar com vários acervos da América do Norte. Uma prova disso é que muitos dos destaques do acervo tiveram de ficar de fora dessa seleção de 200 obras que pode ser vista atualmente no prédio da Fiesp.
É lamentável, no entanto, que um museu com essa riqueza patrimonial esteja há quase 30 anos sem instalações adequadas. "O museu deveria ter uma sede no centro da cidade", defende o professor Zanini, que espera que o sucesso dessa exposição sirva de ponto de partida para uma campanha nesse sentido. "É quase inacreditável que uma cidade como São Paulo ainda não tenha conseguido resolver esse problema, quando não apenas a quantidade, mas sua qualidade e representatividade deveriam ser suficientes para persuadir as pessoas de que é imprescindível a construção de um edifício", lamenta.

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